A defesa de Felipe Cançado Vorcaro protocolou nesta segunda-feira (22) um pedido para que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), reconsidere a decisão que manteve o empresário em prisão preventiva. Os advogados citam trecho do voto divergente do ministro Gilmar Mendes, proferido na sessão da Segunda Turma que analisou o caso, como argumento central para a revogação da medida.
No julgamento, a Segunda Turma confirmou a prisão de Felipe e de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, com apenas Gilmar Mendes votando pela libertação. Segundo a petição, o decano foi o único a avaliar um relatório elaborado pelo BTG Pactual sobre as movimentações financeiras investigadas. O banco não é alvo do inquérito, mas anexou documentos que, de acordo com Mendes, apontariam “a regularidade das operações” em análise.
Felipe é apontado pela Polícia Federal como principal operador financeiro do grupo liderado por Daniel Vorcaro e citado em supostos pagamentos de vantagens ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). A defesa não contesta as transações identificadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), mas ressalta que o órgão alertou para possível sobreposição de registros em um universo de 1.221 pessoas físicas e jurídicas monitoradas ao longo de sete anos. Para os advogados, os valores apresentados “não podem ser automaticamente atribuídos a um único investigado”.
Laudo rebate suspeita de fuga
Felipe foi detido na quinta fase da Operação Compliance Zero após a PF relatar tentativa de fuga em um carrinho de golfe durante busca em uma chácara em Trancoso (BA). Um laudo anexado à nova petição sustenta que as imagens de segurança mostram o sogro de Felipe e um hóspede — e não o empresário — conduzindo o veículo, que teria retornado ao local pouco depois. Para a defesa, o episódio comprova que ele “não recebeu informação privilegiada” nem tentou obstruir a ação policial.
Parte das apurações sobre o chamado caso Master investiga um núcleo da organização suspeito de obter dados sigilosos de inquéritos — grupo que seria conhecido como “A Turma”. Na sexta fase da operação, policiais federais apontados como elo do esquema foram alvo de mandados; uma delegada foi afastada, assim como um agente. Os defensores argumentam que o sistema interno da PF impede o acesso de delegados a procedimentos nos quais não atuam.
O pedido de revogação agora aguarda análise do ministro André Mendonça.
Com informações de Gazeta do Povo