Médicos e pacientes passaram a contar com um número cada vez maior de medicamentos injetáveis para controle de peso e tratamento do diabetes tipo 2. Entre os produtos já consolidados no mercado – como Saxenda, Ozempic, Wegovy e Mounjaro – e as versões mais recentes – Poviztra, Extensior e Ozivy –, o leque de possibilidades cresce e exige atenção às diferenças de indicação, dose, preço e mecanismo de ação.
Como atuam
Conhecidas como “canetas emagrecedoras”, essas drogas são aplicadas por via subcutânea e imitam hormônios intestinais responsáveis por saciedade, esvaziamento gástrico e controle da glicose. A maioria age sobre o receptor de GLP-1; a tirzepatida, presente no Mounjaro, também estimula o GIP, o que aumenta a potência do efeito redutor de apetite.
Principais produtos disponíveis
Saxenda (liraglutida) – Primeira aprovada especificamente para obesidade no Brasil, é de uso diário e atua apenas no GLP-1. Chegou em 2016 e fez pacientes perderem até 4 a 5 kg por mês, mas perdeu espaço após o surgimento de opções mais modernas e baratas.
Ozempic (semaglutida) – Lançado para diabetes tipo 2, oferece doses de 0,25 mg, 0,5 mg e 1 mg. Tornou-se popular pelo efeito colateral de perda de peso, embora não tenha inicialmente indicação formal para obesidade.
Wegovy (semaglutida) – Usa o mesmo princípio ativo do Ozempic, porém tem registro para obesidade e acrescenta doses de 1,7 mg e 2,4 mg. Nos Estados Unidos, a diferenciação de nomes comerciais para públicos distintos é prática comum.
Mounjaro (tirzepatida) – Representa a nova geração por atuar em GLP-1 e GIP. No Brasil, está disponível em 2,5 mg, 5 mg, 7,5 mg, 10 mg, 12,5 mg e 15 mg, com preços entre R$ 1.400 e R$ 3.400. Estudos investigam doses de 17,5 mg e 20 mg, ainda sem previsão de liberação.
Poviztra e Extensior (semaglutida) – Fruto de parceria entre Novo Nordisk e Eurofarma, chegaram ao país no fim de 2025. Pelo programa EuroCuida, a medicação pode custar a partir de R$ 399, dependendo do cadastro do paciente.
Ozivy (semaglutida) – Lançada em 15 de junho pela EMS, diferencia-se por ser sintética e de fabricação nacional. A faixa de preço anunciada parte de R$ 297, marcando novo patamar de acessibilidade.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também aprovou a produção de semaglutida pelo laboratório Cristália, que deve chegar às farmácias até agosto, aumentando a concorrência e pressionando valores para baixo.
Indicação varia caso a caso
De acordo com o nutrólogo Noé Alvarenga, responsável pelo levantamento, a escolha do medicamento depende de fatores como peso, composição corporal, presença de comorbidades, custo e tolerância a efeitos gastrointestinais. Ele ressalta que, sem mudança de hábitos alimentares e acompanhamento médico, o uso isolado das canetas pode resultar em perda de massa magra e outros problemas.
Com mais produtos nas prateleiras, especialistas reforçam que a prescrição deve considerar objetivo terapêutico, perfil do paciente e acessibilidade financeira, evitando a adoção indiscriminada apenas pelo apelo de marketing.
Com informações de Pleno.News