Projeções a partir de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que o primeiro turno da eleição presidencial de 2026 pode registrar a maior taxa de abstenção da história recente, ultrapassando 22% do eleitorado. Caso o cenário se confirme, mais de 35 milhões de brasileiros, num universo de 158 milhões de pessoas aptas a votar, devem deixar de comparecer às urnas.
Evolução constante desde 2006
A série histórica do TSE mostra crescimento contínuo da abstenção nas cinco últimas eleições presidenciais. Em 2006, 16,75% dos eleitores faltaram. O índice subiu para 18,12% em 2010, 19,39% em 2014, 20,33% em 2018 e atingiu 20,95% em 2022. Em números absolutos, o contingente de ausentes saltou de 21 milhões para 33 milhões no mesmo período.
Disputa pode frear ou reforçar tendência
Especialistas observam que a eventual polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pode estimular parte do eleitorado a votar, mas não garante reversão da curva de ausência. Analistas avaliam que, mesmo com cenário acirrado, fatores estruturais como desinteresse, desalento e rejeição às opções disponíveis mantêm o fenômeno em crescimento.
Comparação com o modelo norte-americano
Arthur Wittenberg, professor de Políticas Públicas do Ibmec-DF, alerta que o Brasil caminha para um quadro semelhante ao dos Estados Unidos, onde boa parte da campanha se concentra em mobilizar o eleitor a ir às urnas. Segundo ele, a soma de abstenção, votos brancos e nulos já representa parcela expressiva do eleitorado fora da disputa direta.
Motivos citados para a ausência
Entre as principais razões apontadas por pesquisadores estão:
- Desencanto com a política após crises institucionais e escândalos de corrupção;
- Fadiga da polarização, que afasta eleitores moderados;
- Mudança geracional, com jovens menos ligados ao voto como dever cívico;
- Envelhecimento da população, que amplia a participação de eleitores com mais de 70 anos, para os quais o voto é facultativo;
- Domicílio eleitoral distante do local de residência, dificultando o deslocamento;
- Multa baixa para quem não vota, atualmente fixada em R$ 3,50.
Consultorias como a Dominium projetam que a taxa combinada de abstenção, brancos e nulos pode chegar a 25% em 2026, mesmo num pleito fortemente polarizado. Campanhas dos principais pré-candidatos ainda não apresentaram estratégias específicas para reverter o quadro.
Com informações de Gazeta do Povo