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PF mira Jaques Wagner e provoca divisão no PT sobre liderança do governo no Senado

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Brasília — 19/06/2026. O avanço da nona fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) acentuou divergências internas no PT e levou parte da legenda a pedir que ele deixe, ao menos temporariamente, a liderança do governo no Senado.

Alvo da investigação, Wagner é suspeito de interceder no Congresso em favor do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do liquidado Banco Master. Segundo a PF, o parlamentar teria recebido vantagens financeiras, uso de aeronaves privadas e apoio na negociação de um apartamento de alto valor em Salvador.

Ala defende afastamento provisório

O vice-líder do governo na Câmara, deputado Rogério Correia (PT-MG), tornou pública a defesa do afastamento. “Na condição de investigado, Jaques Wagner deve se dedicar à própria defesa para evitar desgastes adicionais ao governo”, afirmou.

Nos bastidores, parlamentares do PT avaliam que a saída temporária reduziria o impacto político das investigações às vésperas da campanha em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende buscar a reeleição. Até agora, porém, a proposta não avança diante da resistência da direção nacional.

Direção do partido e Planalto mantêm apoio

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, reforçou a confiança no senador. “Jaques Wagner é depositário de toda a nossa confiança. Apoiamos as apurações, mas mantemos o apoio ao colega”, declarou.

O próprio Wagner relatou ter conversado com Lula, que, segundo ele, não cogita substituí-lo. “A liderança do governo é decisão do presidente. Ele me ligou, demonstrou solidariedade e pediu que eu fique firme”, disse. O senador classificou as críticas internas como episódio de “fogo amigo”.

Próximos passos

Há expectativa de um encontro presencial entre Lula e Wagner na próxima semana para tratar da crise. A reunião não ocorreu antes porque o presidente retornou apenas ontem de viagem à Europa e cumpre hoje agenda em Minas Gerais, onde tenta fechar alianças para a disputa ao governo estadual.

Até lá, a manutenção ou não de Wagner na liderança segue como ponto de tensão dentro do partido, em meio ao avanço das investigações da Polícia Federal.

Com informações de Gazeta do Povo