Islamabad (Paquistão), 19 jun. 2026 – Os presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Masoud Pezeshkian, do Irã, assinaram na quarta-feira (17) o Memorando de Islamabad, documento que encerra os combates iniciados em fevereiro deste ano e estabelece um cronograma de 60 dias para a conclusão de um pacto de paz amplo.
Principais pontos do acordo
O texto prevê ações imediatas e metas de longo prazo:
- Cessar-fogo imediato nas frentes de combate.
- Reabertura do Estreito de Ormuz, rota crucial para o transporte global de petróleo.
- Suspensão do bloqueio naval norte-americano a portos iranianos.
- Compromisso bilateral de negociar um tratado final em até 60 dias, prazo passível de prorrogação mediante consenso.
Programa nuclear em foco
Elemento mais sensível da negociação, o programa nuclear iraniano volta à mesa. Teerã reafirmou que não pretende desenvolver armas atômicas e aceitou discutir o descarte do urânio já enriquecido, sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O processo esbarra, porém, em determinação prévia do líder supremo do Irã que proíbe o envio desse material para fora do país, indicando tratativas difíceis nas próximas semanas.
Prazo visto com ceticismo
Analistas apontam que resolver quase quatro décadas de impasses – iniciados em 1982 – dentro de 60 dias é improvável. Especialistas consideram que o memorando pode servir mais como vitória política para Trump, que busca evitar uma “guerra sem fim” durante seu mandato, do que como solução técnica para temas como ambições nucleares e influência regional iraniana.
Balanço do conflito
Mesmo após intensificar bombardeios, Washington não alcançou objetivos estratégicos declarados, como a mudança de regime em Teerã ou a destruição completa do arsenal de mísseis iranianos. Do lado persa, a perda de líderes militares e danos a infraestrutura não resultaram em concessões sobre pontos considerados essenciais para sua soberania.
Reação israelense
O governo de Israel afirmou não se sentir vinculado aos termos do memorando. Paralelamente, o Irã condiciona o avanço das tratativas ao fim dos ataques israelenses ao Líbano, onde o Hezbollah – aliado de Teerã – enfrenta forças israelenses. A continuidade das operações militares na região é apontada por observadores como potencial fator de tensão que pode testar a fragilidade do acordo recém-anunciado.
Os negociadores de Washington e Teerã voltam a se reunir nos próximos dias para detalhar o cronograma de implementação do cessar-fogo e definir parâmetros para as conversas sobre o programa nuclear e sanções econômicas.
Com informações de Gazeta do Povo