Jerusalém – Mais de 88 incidentes de assédio e agressão contra cristãos foram registrados em Israel desde o início do ano, e a tendência é de alta. O Centro de Dados sobre Liberdade Religiosa (RFDC, na sigla em inglês) estima que, mantido o ritmo, 2026 superará o recorde de 181 ocorrências contabilizadas no ano passado.
Escalada no segundo trimestre
Somente entre abril e junho, o RFDC documentou 63 episódios, a maioria na Cidade Velha de Jerusalém e no Monte Sião. As ocorrências incluem cusparadas, insultos, depredação de túmulos, estátuas e cruzes, pichações racistas e profanação de locais de culto.
A pesquisadora israelense Yeska Hran, que apresentou o relatório em Jerusalém, afirmou que a violência “ultrapassou todas as expectativas” e já faz parte do cotidiano das comunidades cristãs.
Queixas arquivadas
Advogados e ativistas presentes ao lançamento do documento criticaram a resposta policial. De acordo com Uri Naroff, diretor jurídico do Centro de Ação Religiosa de Israel, 19 das 25 denúncias protocoladas pela entidade entre 2012 e 2021 foram arquivadas sob alegações como “nenhum suspeito encontrado” ou “falta de indícios”.
Ataques registrados
Líderes católicos relataram a derrubada de cruzes de pedra, destruição de carros, arremesso de ovos e lixo em mosteiros e casas de hospedagem. O padre Stanislav Kolakowski, das Irmãs de Santa Isabel, disse que as investidas ocorrem “em ondas”.
Em abril, câmeras de segurança flagraram a agressão a uma freira francesa de 48 anos, pesquisadora da Escola Francesa de Arqueologia Bíblica. Ela foi empurrada contra uma pedra e chutada enquanto estava no chão. A polícia informou ter detido um suspeito, sem revelar a identidade.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel condenou o episódio, que, segundo a Universidade Hebraica de Jerusalém, não foi “isolado”, mas parte de um padrão de hostilidade crescente.
No mesmo mês, um soldado israelense foi filmado destruindo uma estátua de Cristo no sul do Líbano. O militar foi afastado das funções pelo Exército.
Números de 2025 e preocupações
Dados do Centro Rossing para Educação e Diálogo registraram 155 casos em 2025: 61 agressões físicas, 52 ataques a propriedades religiosas, 28 atos de assédio e 14 vandalizações de placas. O órgão considera os registros “a ponta do iceberg”, dada a subnotificação.
Em outro incidente recente, três jovens judeus cuspiram e insultaram um padre do Patriarcado Latino próximo ao Portão de Damasco, enquanto agentes teriam tentado dissuadi-lo de prestar queixa.
Analistas citados pelo Felesteen News atribuem o aumento da violência à maior influência de movimentos religioso-nacionalistas radicais, somada à percepção de que as autoridades não tratam as denúncias com a devida seriedade.
Perfil da comunidade cristã
Cerca de 180 mil cristãos vivem em território israelense, dos quais 80% são árabes, representando 7% da população árabe do país.
O RFDC se define como entidade apolítica dedicada à documentação de violações da liberdade religiosa. Fundado por cidadãos judeus-israelenses e liderado pela estudiosa Yiscah Harani, o centro afirma ver qualquer ataque à comunidade cristã como afronta aos valores fundadores de Israel.
Com informações de Folha Gospel