Rio de Janeiro — A Polícia Federal (PF) conseguiu acessar o conteúdo do celular principal do ex-governador fluminense Cláudio Castro, apreendido em operações que investigam supostos esquemas de corrupção e sonegação fiscal. O desbloqueio ocorreu após Castro se recusar a fornecer a senha do aparelho, utilizado por ele no dia a dia.
Dispositivo considerado chave
Dois outros telefones de Castro já haviam sido recolhidos, mas um estava inativo havia anos e o outro tinha apenas dez dias de uso. A PF aposta que o aparelho agora aberto pode revelar mensagens, ligações e agendas de encontros que mostrem favorecimento a grupos empresariais durante o mandato.
Foco em Banco Master
Na Operação Compliance Zero, os investigadores apuram se Castro articulou politicamente para que a Rioprevidência — fundo de pensão dos servidores estaduais — destinasse R$ 3,6 bilhões a títulos de risco emitidos pelo Banco Master. O Ministério Público Federal sustenta que houve mudanças rápidas na direção do fundo e credenciamento acelerado da instituição financeira, ignorando alertas técnicos sobre o investimento.
Benefícios à refinaria Refit
Paralelamente, a Operação Sem Refino aponta que o governo do Rio teria atuado como “extensão empresarial” da Refit. Sob orientação de Castro, a Secretaria de Fazenda teria destravado medidas para favorecer o empresário Ricardo Magro, dono da refinaria e listado como maior devedor de impostos do país, com débito estimado em R$ 52 bilhões.
Intermediários citados
As apurações citam ainda o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o delator da Lava Jato Ricardo Siqueira Rodrigues, apontado como responsável por aproximar o núcleo político dos interesses privados. Rodrigues teria recebido promessa de comissão de 0,6% sobre os valores aplicados pela Rioprevidência, o equivalente a cerca de R$ 22 milhões.
Posicionamento da defesa
Cláudio Castro nega irregularidades e afirma não ter participado das decisões técnicas da Rioprevidência. Diante do avanço das investigações, o ex-governador retirou, no fim de maio, sua pré-candidatura ao Senado pelo Rio de Janeiro nas eleições de 2026. A PF agora cruza dados do celular para verificar também possível elo com o crime organizado no estado.
Com informações de Gazeta do Povo