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Polícia Federal quebra senha de celular de Cláudio Castro e busca provas sobre Banco Master e Refit

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Rio de Janeiro – A Polícia Federal conseguiu, na última semana, acessar o telefone celular de uso cotidiano do ex-governador fluminense Cláudio Castro (PL-RJ), apreendido em maio, e pretende aprofundar a apuração sobre os vínculos dele com o banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master, e com o empresário Ricardo Magro, proprietário da refinaria Refit e maior devedor de tributos do país.

Dispositivo desbloqueado após recusa do ex-governador

Castro havia se recusado a fornecer a senha do aparelho, apreendido durante as operações Sem Refino e Compliance Zero. Segundo fontes ligadas às duas investigações, além deste telefone, há mais dois celulares já em poder da PF: um inativo há anos e outro com apenas dez dias de uso.

Duas frentes de investigação

No caso Sem Refino, deflagrado no fim de maio, a PF sustenta que o ex-governador mobilizou a máquina estadual para favorecer interesses de Ricardo Magro. A Refit acumula dívida de aproximadamente R$ 52 bilhões com a Receita Federal, e a corporação aponta a sonegação fiscal como modelo de negócios do grupo.

Relatório enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirma que a Secretaria de Estado da Fazenda teria atuado como extensão da Refit, concedendo benefícios e tomando decisões em prejuízo de concorrentes. Reuniões entre Castro e Magro teriam tratado, inclusive, da elaboração de legislações favoráveis ao setor.

Na oitava fase da Operação Compliance Zero, também lançada em maio, a suspeita recai sobre aplicações de R$ 3,6 bilhões da Rioprevidência em títulos do Banco Master. Investigadores relatam que, após trocas na cúpula do fundo de previdência dos servidores estaduais, o banco de Vorcaro foi rapidamente credenciado, mesmo diante de alertas técnicos.

A investigação aponta ainda a participação de intermediários, entre eles o delator da Lava Jato Ricardo Siqueira Rodrigues, que teria recebido comissão de 0,6% — cerca de R$ 22 milhões — sobre o montante aplicado.

Crimes apurados e posicionamento

Castro é alvo por suspeita de corrupção passiva, gestão fraudulenta, organização criminosa e crimes contra o sistema financeiro nacional. Ele nega qualquer irregularidade, alega não ter interferido nas decisões técnicas da Rioprevidência e, duas semanas atrás, retirou sua pré-candidatura ao Senado pelo Rio de Janeiro.

Com o conteúdo do celular agora liberado, a PF espera confirmar encontros, mensagens e eventuais orientações repassadas pelo então governador a auxiliares para viabilizar medidas em benefício do Banco Master e da Refit. As análises dos peritos continuam sem prazo divulgado para conclusão.

Com informações de Gazeta do Povo