A Convenção Batista do Sul (SBC, na sigla em inglês) aprovou, na quarta-feira (10), o prosseguimento de uma emenda constitucional que proíbe a ordenação e o exercício de funções pastorais por mulheres nas igrejas filiadas.
Reunidos na assembleia anual da denominação em Orlando, Flórida, 74,6% dos mais de 8 mil delegados — conhecidos como “mensageiros” — votaram a favor da proposta; 25,09% foram contrários.
Exigência de dois escrutínios
Pelas regras da SBC, alterações na Constituição precisam ser ratificadas por maioria de dois terços em dois anos consecutivos. Como as duas tentativas anteriores não atingiram esse índice, a medida terá de receber novo aval, também por dois terços, na convenção de 2027 para entrar em vigor.
Conteúdo da emenda
O texto estabelece que será excluída qualquer igreja que “afirme, nomeie ou endosse” uma mulher para os cargos de pastor, presbítera ou supervisora, sobretudo quando houver pregação diante da congregação.
A proposta foi apresentada pelo teólogo Albert Mohler, presidente do Seminário Teológico Batista do Sul. Segundo ele, o tema “tem consumido a atenção da denominação há vários anos” e a mudança traria “maior clareza” sobre quais igrejas permanecem em cooperação.
Histórico e reações
Nos últimos anos, a SBC expulsou igrejas que mantinham mulheres em posições pastorais, entre elas a Saddleback Church, fundada por Rick Warren. Grupos favoráveis ao ministério feminino criticam a emenda, alegando que ela restringe o serviço das mulheres e contraria o princípio batista de autonomia das congregações.
Antes da votação, a organização Baptist Women in Ministry financiou um outdoor em Orlando em apoio às mulheres que ensinam e pregam a Bíblia. Após o resultado, o grupo declarou estar “de coração partido” e defendeu que “as mulheres no ministério merecem afirmação, respeito e a oportunidade de seguir o chamado de Deus”.
Impacto além dos EUA
Com cerca de 12 milhões de membros, a SBC é a maior denominação protestante norte-americana e exerce influência sobre outras igrejas ao redor do mundo. A decisão reacende o debate global sobre o papel das mulheres na liderança e no ministério cristão.
Com informações de Guiame