O conflito civil que opõe o Exército sudanês às Forças de Apoio Rápido (RSF) provocou a destruição ou a ocupação militar de mais de 160 igrejas em todo o Sudão, segundo relatório do Departamento de Estado dos Estados Unidos. A escalada da violência, intensificada em 2023 após o golpe militar de 2021, soma entre 60 mil e 400 mil mortos e forçou entre 12 e 14 milhões de pessoas a deixarem suas casas.
Crise humanitária sem precedentes
Além do deslocamento em massa, cerca de 20 milhões de sudaneses enfrentam fome severa em meio ao colapso econômico. Cristãos, mulheres e crianças figuram entre os grupos mais vulneráveis, expostos a agressões sexuais e ao recrutamento de menores para combate. De acordo com Ryan Brown, diretor-executivo da Portas Abertas nos Estados Unidos, cristãos costumam ser “os últimos na fila” para receber assistência ou encontrar refúgio seguro.
Templos saqueados e usados como bases
Os relatos apontam que muitas igrejas foram saqueadas, confiscadas e transformadas em depósitos de armas ou alojamentos para combatentes. Em Cartum, a RSF invadiu a Igreja dos Mártires durante um culto, agrediu fiéis, roubou objetos de valor e cavou sepulturas em busca de ouro. O grupo também tentou sequestrar meninas de um orfanato, algumas com apenas 11 anos.
O diácono Safein Nazer, baleado na perna ao confrontar os invasores, afirmou à CBN News que os agressores exigiram um veículo para levar as órfãs. Apesar do ataque, Nazer disse ter sentido a fé fortalecida em meio à violência.
Perseguição religiosa em alta
O Sudão ocupa a quarta posição na Lista Mundial da Perseguição 2026, elaborada pela Portas Abertas, que indica os países mais hostis aos cristãos. A organização relata aumento dos ataques durante a guerra, inclusive em áreas urbanas antes consideradas relativamente seguras.
Especialistas apontam que o vácuo de poder após o golpe de 2021 permitiu que milícias de ambos os lados agissem com impunidade. Prédios religiosos são bombardeados ou ocupados, líderes cristãos — inclusive estrangeiros — sofrem prisões arbitrárias e convertidos do islã vivem sob constante ameaça de violência e rejeição familiar.
Sem sinais de resolução no horizonte, a destruição de igrejas soma-se à já grave crise humanitária que atinge a população civil sudanesa.
Com informações de Folha Gospel