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Papa Leão XIV pede desculpas pela participação histórica da Igreja na escravidão

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Vaticano, 9 jun. 2026 – O papa Leão XIV apresentou um pedido formal de perdão pelo envolvimento de fiéis e instituições católicas na escravidão, em passagens de sua encíclica Magnifica Humanitas, promulgada em 15 de maio. O pontífice classificou o sofrimento imposto a povos escravizados como “imenso” e incompatível com a dignidade que a fé atribui a cada pessoa.

“Em nome da Igreja, peço sinceramente perdão”, escreveu o Papa, após recordar que, durante a Antiguidade e a Idade Média, católicos – inclusive autoridades eclesiais – participaram do sistema escravagista. Embora reitere que o magistério nunca tenha declarado a escravidão como moralmente aceitável, Leão XIV reconheceu que a Santa Sé “interveio diversas vezes para regular e legitimar formas de subjugação” solicitadas por governantes da época.

Crítica a documentos do século XV

Em nota de rodapé, o pontífice mencionou quatro bulas do século XV – Sicut Dudum e Etsi Suscepti, de Eugênio IV, e Dum Diversas e Romanus Pontifex, de Nicolau V – como exemplos de atos que, segundo ele, buscaram “regular e legitimar” a escravidão. Leão XIV observou que, em diversos momentos, “necessidades políticas ou econômicas se sobrepuseram às exigências do Evangelho”.

O Papa também salientou que uma condenação “formal, absoluta e universal” à escravidão só veio a ser proclamada em 1888, com a encíclica In Plurimis, de Leão XIII. “Não podemos negar nem minimizar o atraso da Igreja em sua denúncia”, registrou.

Reações e contexto histórico

Tom Nash, apologista da organização Catholic Answers, lembrou que outros pontífices já lamentaram a participação de cristãos na escravidão, porém sem criticar bulas específicas. Segundo ele, as passagens de Magnifica Humanitas não representam mudança doutrinária, pois “a Igreja jamais ensinou definitivamente que a escravidão fosse moralmente justa”.

A encíclica dedica apenas alguns parágrafos ao tema; o restante aborda questões da doutrina social contemporânea e desafios como a inteligência artificial.

Condenações anteriores

O texto de Leão XIV resgata ainda episódios de repúdio ao cativeiro registrados antes de 1888, como a bula Sublimis Deus (1537), de Paulo III, que proibiu a escravização de indígenas americanos; o breve apostólico de Gregório XIV (1591) contra a escravização nas Filipinas; e a bula Commissum Nobis (1639), de Urbano VIII, condenando o cativeiro na América do Sul. Nos séculos XVIII e XIX, Pio VII e Gregório XVI também escreveram a governantes pedindo o fim do tráfico de escravos.

Leão XIV conclui que a compreensão eclesial sobre a gravidade da escravidão foi se aprofundando ao longo dos séculos, ainda que, em diversos períodos, interesses temporais tenham adiado uma condenação universal.

Com informações de Gazeta do Povo