Cidade do Vaticano, 10 de junho de 2026 – O papa Leão XIV divulgou a encíclica Magnifica Humanitas, na qual apresenta um pedido formal de perdão pela atuação de instituições católicas na prática da escravidão ao longo da história.
Crítica a documentos do século XV
Na carta, o pontífice lamenta “o sofrimento e a humilhação infligidos a inúmeros irmãos e irmãs” e menciona especificamente bulas dos papas Nicolau V e Eugênio IV, emitidas no século XV, que autorizaram a subjugação de povos não cristãos. Segundo Leão XIV, esses textos demonstraram “a capitulação do Evangelho diante de interesses mundanos”.
Doutrina permanece inalterada
Teólogos consultados pelo Vaticano reforçam que a encíclica não modifica o ensinamento oficial da Igreja, pois as bulas citadas eram julgamentos prudenciais aplicados a contextos políticos da época e não constituem definições infalíveis sobre fé ou moral.
Evolução da posição oficial
O papa reconhece atraso institucional no repúdio à escravidão e recorda que a condenação universal da prática só foi declarada em 1888, pelo papa Leão XIII. O documento também relembra manifestações anteriores: Paulo III, em 1537, proibiu a escravização de indígenas americanos; Gregório XVI, no século XIX, censurou todo o comércio de escravos; e São João Paulo II apresentou pedidos de desculpas mais gerais sobre o tema.
Leão XIV encerra a encíclica reiterando a “dignidade inegociável de cada pessoa humana” e conclama comunidades católicas a promoverem ações concretas de reparação histórica.
Com informações de Gazeta do Povo