Jerusalém e Teerã – Pela primeira vez desde abril, Israel e Irã trocaram mísseis no domingo (7) e na segunda-feira (8), reabrindo frentes de combate que estavam sob frágil cessar-fogo desde 7 de abril. Especialistas consideram que a retomada das hostilidades amplia a guerra para todo o Oriente Médio e evidencia o distanciamento entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
Irã anuncia pausa, mas ameaça retaliação
Em comunicado divulgado pelo Khatam al-Anbiya, comando militar de emergência iraniano, Teerã afirmou ter “encerrado as operações” contra Israel por ora. A nota, porém, adverte que novas ações “muito mais severas” serão adotadas se os ataques israelenses continuarem, sobretudo no sul do Líbano, onde o Hezbollah — aliado do Irã — é alvo de ofensiva das Forças de Defesa de Israel (FDI).
Israel condiciona trégua, mas mantém bombardeios no Líbano
Fontes do governo Netanyahu, citadas pelo jornal The Times of Israel, disseram que o país suspenderá ataques ao território iraniano caso Teerã também recue. No entanto, as operações contra o Hezbollah no Líbano prosseguirão, postura considerada “inaceitável” por autoridades iranianas.
Escalada regional confirmada
Analistas ouvidos pela Gazeta do Povo apontam que é a primeira vez que o Irã responde diretamente a um ataque israelense realizado em terceiro país — no caso, o Líbano. O coronel da reserva brasileiro Marco Antonio de Freitas Coutinho avalia que isso “eleva o conflito a nível regional”. Ele lembra ainda que os rebeldes houthis, igualmente alinhados ao Irã, anunciaram o fechamento do Estreito de Bab-el-Mandeb, importante rota marítima que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden.
Pressão de Trump não surte efeito
Os disparos ocorreram em meio a insistentes pedidos de Donald Trump para que Netanyahu interrompa operações no Líbano e evite escalar o confronto com o Irã. Segundo o site Axios, o presidente americano repreendeu o premiê em telefonema na semana passada: “Você estaria na prisão se não fosse por mim”, teria dito Trump, criticando a continuação dos bombardeios.
A emissora CNN informou que, no domingo (7), Trump voltou a solicitar que Israel não executasse um ataque de retaliação, alegando que um acordo de paz estava próximo. Mesmo assim, mísseis foram lançados de ambos os lados.
Nesta segunda (8), o líder dos EUA publicou na rede Truth Social que “Israel e Irã devem parar imediatamente de atirar”, destacando que “negociações finais de paz estão em andamento”. Ele reafirmou que o bloqueio a portos iranianos permanecerá até a assinatura de um acordo definitivo.
Divergência estratégica
Para o coronel da reserva Paulo Roberto da Silva Gomes Filho, também entrevistado pela Gazeta do Povo, a resposta israelense mostra “distância dos aliados americanos”. Segundo ele, Trump busca um entendimento rápido com Teerã, enquanto o Irã tenta unificar os conflitos no Golfo Pérsico e no Líbano numa única mesa de negociação, movimento que limita a autonomia de Israel.
Pressão interna em Israel
Dentro de Israel, Netanyahu enfrenta cobranças. O líder opositor Yair Lapid afirmou no fim de maio que o regime iraniano saiu “fortalecido” da guerra e criticou o fato de Tel Aviv não participar diretamente das negociações entre Washington e Teerã. “Israel é um Estado soberano, não um protetorado americano”, declarou.
Com novas trocas de mísseis e posições públicas contraditórias, o conflito volta a um cenário de incerteza, apesar das declarações oficiais em favor de um cessar-fogo.
Com informações de Gazeta do Povo