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Eduardo Bolsonaro diz ter solicitado a Trump o retorno de sanções a Moraes e compara Zelle ao Pix

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O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) declarou nesta quarta-feira, 3 de junho, ter pedido pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que restabeleça as sanções da Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e a advogada Viviane Barci de Moraes.

Em entrevista ao canal TCM News, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro negou qualquer articulação para que Washington adotasse um novo tarifaço contra o Brasil e justificou o apelo pela punição individual. “A gente acredita que sanções a pessoas que se comportam como tiranos são válidas”, afirmou.

Sanções removidas em 2025

Moraes e a esposa foram incluídos na lista Magnitsky no fim de julho de 2025 e retirados em dezembro do mesmo ano. Segundo Eduardo, a volta das sanções seria um meio de responsabilizar o ministro por decisões que ele considera abusivas.

O tema também é alvo de um inquérito no STF: a Primeira Turma da Corte marcou para 16 de junho o julgamento do ex-deputado sob a acusação de coação no curso do processo. A Procuradoria-Geral da República (PGR) sustenta que Eduardo articulou sanções estrangeiras para garantir “impunidade” ao pai.

Encontro com Trump e Rubio

Na semana anterior, Eduardo, o senador Flávio Bolsonaro (PL) — pré-candidato ao Planalto — e o jornalista Paulo Figueiredo reuniram-se com Trump e com o secretário de Estado Marco Rubio. Dois dias depois, os Estados Unidos classificaram o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, pedido admitido publicamente por Flávio.

O governo Lula avalia que a mudança pode abrir espaço a interferências externas. Já na segunda-feira, 1º de junho, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) recomendou tarifar em 25% produtos brasileiros, citando decisões contra redes sociais americanas, o impacto do Pix sobre empresas de pagamentos dos EUA e a falta de ações anticorrupção.

“Fator Flávio” e o Pix

Para Eduardo, o aumento de tarifas ainda não saiu do papel graças ao que chamou de “fator Flávio”. “Ele prometeu que, eleito presidente, negociará um acordo de livre-comércio entre Brasil e EUA; assim, novas tarifas não serão necessárias”, disse.

Questionado sobre o risco de restrições ao Pix, o ex-parlamentar comparou a ferramenta brasileira ao Zelle, sistema operado por bancos norte-americanos. “O Pix dos EUA é o Zelle; dá para ir à mesa com bons argumentos”, afirmou, citando o interesse de Washington em terras raras e manganês brasileiros como moeda de troca.

Filme “Dark Horse” e patrocínio do Banco Master

Eduardo também defendeu o irmão no episódio do financiamento do filme Dark Horse, que narra a trajetória de Jair Bolsonaro. De acordo com ele, todo o dinheiro solicitado a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi destinado à produção.

Reportagem do The Intercept Brasil indicou repasse estimado em R$ 134 milhões; o banqueiro teria desembolsado cerca de R$ 61 milhões. “Se comparar, o longa sobre a primeira-dama dos EUA, Melania Trump, custou US$ 40 milhões, e nosso filme não chega à metade disso”, disse Eduardo, classificando as suspeitas sobre a relação entre Flávio e Vorcaro como “boia salva-vidas” usada pelo governo Lula para enfraquecer a pré-campanha do senador.

Com informações de Gazeta do Povo