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Empresário com dupla cidadania é detido na Califórnia por enviar tecnologia dos EUA ao programa nuclear iraniano

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Washington (03.jun.2026) – Autoridades norte-americanas prenderam Jamshid Ghomi, empresário com cidadanias dos Estados Unidos e do Irã, sob acusação de burlar sanções ao fornecer equipamentos de origem norte-americana a organismos ligados aos projetos nuclear e militar do regime iraniano.

O Departamento de Justiça (DoJ) informou que Ghomi, fundador e diretor-executivo da Faraz Pardaz Rayaneh Co. Ltd., empresa de redes de computadores sediada em Teerã, foi detido na Califórnia. Ele responde no âmbito federal por conspiração para violar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), base jurídica das sanções impostas por Washington a Teerã.

Compra e envio clandestinos

Investigações apontam que, entre 2011 e 2015, o empresário utilizou contas pessoais nas plataformas eBay e PayPal para realizar mais de 400 aquisições de equipamentos de rede, segurança e criptografia fabricados nos EUA. O material era primeiro despachado a intermediários nos Emirados Árabes Unidos e, em seguida, remetido de forma oculta ao Irã.

De 2014 a 2018, Ghomi teria organizado o transporte clandestino de cerca de 250 toneladas desses equipamentos, empregando empresas de fachada e agentes de carga em Dubai para mascarar o destino final. Documentos foram adulterados para retirar o nome do empresário, omitir faturas e esconder peças de origem norte-americana em carregamentos maiores.

Entidades iranianas atendidas

Segundo a acusação, parte dos produtos foi entregue à Organização de Energia Atômica do Irã — responsável por atividades de enriquecimento de urânio — e a órgãos militares, todos já sancionados pelos EUA. Entre 2017 e 2023, a empresa de Ghomi teria fornecido material direto à agência nuclear iraniana. O Ministério da Defesa e Logística das Forças Armadas do Irã também aparece na lista de destinatários entre 2014 e 2022.

O procurador-geral adjunto para Segurança Nacional, John A. Eisenberg, declarou que Ghomi “enriqueceu fornecendo tecnologia norte-americana à Organização de Energia Atômica do Irã e a outras entidades sancionadas responsáveis pelo programa nuclear iraniano”.

Lavagem de dinheiro e bens

O DoJ alega ainda que o empresário lavou mais de US$ 15 milhões do Irã para contas bancárias nos Estados Unidos, valores declarados falsamente ao Fisco como herança estrangeira. Parte dos recursos teria financiado a construção de uma mansão em Newport Beach, avaliada em US$ 35 milhões. Promotores pretendem confiscar o imóvel e outros bens ligados ao esquema.

Ghomi deverá comparecer à Corte Federal em Santa Ana, Califórnia. Se condenado, poderá cumprir até 20 anos de prisão.

Com informações de Gazeta do Povo