Teerã, 3 de junho de 2026 – O governo do Irã tem recorrido ao bloqueio de rotas marítimas estratégicas, como os estreitos de Ormuz e Bab El-Mandeb, para exercer pressão econômica sobre Estados Unidos, Israel e demais nações ocidentais. A estratégia, descrita por analistas como “terrorismo econômico”, já provocou alta no preço do petróleo e encarecimento de produtos em diversos mercados.
Rotas sob risco permanente
O Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial, foi alvo de bloqueios anteriores promovidos por Teerã. Agora, o regime ameaça também o Estreito de Bab El-Mandeb, ligação entre o Mar Vermelho e o Canal de Suez que responde por 30% do comércio global de contêineres.
Drones e mísseis elevam custos de transporte
Ameaças e ataques com drones e mísseis contra navios mercantes obrigam companhias de navegação a contornar o continente africano, o que pode acrescentar até três semanas às viagens. O desvio eleva gastos com combustível e seguros, refletindo-se no preço final de bens de consumo em todo o planeta. Durante o pico da atual crise, o barril de petróleo alcançou US$ 117.
Desafio às regras internacionais
A prática contraria o princípio da livre navegação previsto na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. Especialistas advertem que permitir bloqueios unilaterais de estreitos cria um precedente comparável à invasão russa da Ucrânia, ameaçando a estabilidade do comércio marítimo global.
Papel dos Houthis no Mar Vermelho
Aliado de Teerã, o grupo rebelde Houthi, do Iêmen, integra o chamado “Eixo da Resistência” e utiliza drones marítimos e mísseis antinavio de baixo custo para alvejar embarcações civis. Esses ataques dificultam a defesa de potências ocidentais e podem paralisar pontos considerados gargalos logísticos.
Reflexos para o Brasil e para o PIB mundial
A tensão nas rotas afeta diretamente o Brasil, importador de combustíveis e grande exportador de produtos do agronegócio que dependem dessas cadeias logísticas. O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta queda no PIB global caso o cenário piore; em uma hipótese pessimista para 2026, o crescimento mundial pode despencar, pressionando economias mais frágeis.
As medidas de Teerã, segundo analistas, ampliam o risco de um colapso no comércio marítimo caso outros países adotem “pedágios” ou bloqueios semelhantes.
Com informações de Gazeta do Povo