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Crianças recebem primeira comunhão sob ataques de foguetes no sul do Líbano

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Mais de 50 crianças católicas da vila de Rmeish, no sul do Líbano, participaram de sua primeira comunhão em 31 de maio, mesmo dia em que foguetes disparados pelo Hezbollah caíram sobre a localidade. O episódio reforça a rotina de tensão vivida pelos moradores desde 8 de outubro de 2023, quando os confrontos na região se intensificaram.

Segundo o chefe da municipalidade de Rmeish, Hanna Al-Amil, um míssil caiu entre residências na manhã de domingo e quase provocou “um grande desastre”. Ele ressaltou que a comunidade não abriga forças militares nem possui armamentos, apenas “quer viver com segurança em suas terras”.

Al-Amil destacou que, apesar das “circunstâncias difíceis”, os habitantes permanecem na vila e tentam manter a rotina. Ele pediu proteção para os civis e solicitou que Rmeish não seja incluída no confronto em curso.

Rotina marcada por medo e incerteza

Morador de Rmeish, Rizkallah Alam contou que a população vive em “estado de guerra” há quase três anos, sem um cessar-fogo efetivo. Pai de uma das crianças que receberam a primeira comunhão, ele revelou que havia sugerido adiar a cerimônia, mas o pároco insistiu em mantê-la.

“As crianças e os pais vivem em ansiedade constante”, disse Alam. “Alguns dias as escolas abrem, em outros permanecem fechadas. Hoje a situação piorou por causa do cerco.” De acordo com ele, os bloqueios na região dificultam o acesso a suprimentos básicos, e a celebração religiosa deste ano foi restrita às residências, sem grandes festas e com menor participação porque muitas famílias deixaram a vila ou o país.

Outros ataques na região

O disparo de foguetes em Rmeish não foi um caso isolado. Na sexta-feira anterior, projéteis lançados contra forças israelenses em Dibbin atingiram áreas civis de Marjayoun, danificando propriedades, a Igreja Ortodoxa Grega de São Jorge e as instalações da Escola Secundária dos Sagrados Corações.

Apesar dos riscos, as famílias de Rmeish decidiram manter a primeira comunhão como um ato de fé e resistência. “Não podemos nem planejar o amanhã”, afirmou Alam. “Enquanto conversamos, novos foguetes caíram na vila; uma pessoa ficou ferida e um carro pegou fogo.”

Entre sirenes e orações, Rmeish simboliza o desejo de permanecer e celebrar a vida em meio à guerra.

Com informações de Gazeta do Povo