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EUA apontam uso de trabalho forçado e cogitam tarifa extra de 12,5% sobre carne bovina brasileira vendida à China

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Washington, 3 de junho de 2026 – O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) afirmou, em relatório divulgado nesta terça-feira (2), que o Brasil praticou “concorrência desleal” ao ampliar suas exportações de carne bovina congelada, sobretudo para a China, entre 2015 e 2025. O documento integra uma investigação sobre trabalho forçado e sustenta a possibilidade de imposição de uma tarifa adicional de 12,5% a produtos brasileiros.

O USTR declarou ser “fato notório” a utilização de trabalho forçado na pecuária brasileira. Ainda segundo o relatório, as remessas de carne bovina congelada do Brasil para os mercados analisados quase dobraram no período, enquanto as vendas dos EUA cresceram 21% em volume.

Salto nas vendas para a China

Conforme os dados oficiais, os embarques brasileiros dirigidos à China saltaram de 94 mil toneladas métricas em 2015 para quase 1,65 milhão de toneladas métricas em 2025, expansão superior a 17 vezes. O volume supera com folga o registrado pelos produtores norte-americanos, cujas exportações para o mercado chinês têm apresentado queda nos últimos anos.

Para o governo dos Estados Unidos, mesmo que nem toda a carne importada pela China seja fruto de trabalho forçado, a “prevalência” do problema no setor sugere que parte dos embarques brasileiros utiliza mão de obra nessas condições. O relatório também acusa Pequim de não restringir a entrada de mercadorias suspeitas, o que teria conferido vantagem de custo ao Brasil e “distorcido” a competição com os fornecedores americanos.

Possíveis impactos no comércio

O USTR argumenta que, caso a China tivesse barrado produtos associados a trabalho forçado, os EUA teriam obtido “maiores vendas, receitas e exportações de carne bovina” para o país asiático, mantidos os demais fatores constantes.

A análise publicada nesta terça-feira sucede outra recomendação feita na segunda-feira (1.º), que sugeriu tarifa de 25% sobre produtos brasileiros com base na Seção 301, sob a alegação de políticas que prejudicariam o comércio dos Estados Unidos.

O relatório menciona também que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o líder chinês Xi Jinping mantêm diálogo estreito, contexto em que o Brasil consolidou-se como um dos principais fornecedores de carne bovina para a China no período analisado.

Com informações de Gazeta do Povo