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Relatório denuncia cartéis e autoridades indígenas por violações sistemáticas à liberdade religiosa no México

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Cartéis de drogas e líderes comunitários indígenas estão por trás de uma série de abusos contra a liberdade religiosa no México, enquanto o Estado falha em oferecer proteção, aponta o relatório “Proteção no Papel: A Situação da Liberdade de Religião ou Crença no México”, divulgado pela organização britânica Christian Solidarity Worldwide (CSW).

Dois focos principais de abusos

Segundo a CSW, as violações se concentram em duas frentes que muitas vezes se sobrepõem:

1. Comunidades regidas por “usos e costumes” – Nessas aldeias, líderes locais impõem participação em rituais e contribuições financeiras para festividades da religião majoritária, geralmente o catolicismo romano. Quem se recusa sofre sanções como perda de direitos civis, cortes de água e luz, detenção arbitrária, agressões e até expulsão.

2. Áreas controladas pelo crime organizado – Grupos criminosos decretam toques de recolher, restringem deslocamentos e intimidam líderes que denunciam a violência. Em alguns casos, religiosos desaparecem ou são mortos.

Casos emblemáticos

A CSW registrou mais de 130 violações graves nos últimos anos, 60 delas apenas em Oaxaca. Entre os episódios recentes estão:

  • Pastor Mariano Velásquez Martínez – Expulso em janeiro de 2025 de Santiago Malacatepec, município de San Juan Mazatlán Mixe, após se recusar a ajoelhar e rezar diante de uma imagem católica. Ele e a família foram detidos por 48 horas antes da expulsão.
  • Onze adventistas do sétimo dia – Agredidos e presos em Pinal Salinas e Tzajalnabin, município de Zinacantán (Chiapas), também em janeiro, por não financiarem festas católicas. Autoridades locais exigiram 100 mil pesos (cerca de US$ 5 mil) para libertação, valor retirado após intervenção estadual.
  • Benito Guevara Arcos – Missionário protestante de 79 anos desaparecido em 31 de março de 2025, em Guerrero, depois de ser forçado a entrar num veículo. Um grupo criminoso alegou tê-lo soltado em 4 de abril, a 30 km do sequestro, mas a família não o encontrou e registrou boletim de desaparecimento em 13 de abril.

Impunidade e falta de investigação

O Conselho de Direitos Humanos da ONU alertou, em setembro de 2025, para a “impunidade estrutural” no país. Defensores de direitos afirmam que autoridades classificam ataques contra religiosos como crimes comuns. O Centro Multimídia Católico contabilizou, entre 1990 e 2025, o assassinato de um cardeal, 62 padres, um diácono, quatro funcionários de igreja, 23 líderes leigos e um jornalista católico, além do desaparecimento forçado de dois sacerdotes.

Números da violência

Levantamento do governo mexicano em 2022 estimou que mais de 3 milhões de pessoas de minorias religiosas sofrem algum tipo de discriminação. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos registrou aumento superior a 200 % nos desaparecimentos na última década, frequentemente com envolvimento de agentes estatais.

Entre o fim de 2023 e 2025, a Global Christian Relief apontou 376 sequestros e agressões contra cristãos no México, o maior número no mundo. A Portas Abertas relata que líderes religiosos e voluntários comunitários são alvos preferenciais dos cartéis, que veem nelas ameaças ao seu controle.

Apelos por ação governamental

Pablo Vargas, diretor nacional da organização Impulso18, defende que o governo assegure a independência do Estado em relação a religiões e promova o respeito aos direitos humanos. Anna Lee Stangl, diretora de advocacy da CSW, pediu medidas contra a cultura de impunidade para garantir que vítimas sejam protegidas ao denunciar violações.

Com informações de Folha Gospel