Brasília – O governo brasileiro divulgou nota de forte repúdio nesta terça-feira (2) após a conclusão preliminar da investigação da Seção 301 dos Estados Unidos, que recomenda tarifa extra de 25% sobre produtos nacionais.
Segundo o Palácio do Planalto, a medida anunciada na segunda-feira pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) é “unilateral” e tem motivação política. O comunicado atribui a escalada ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se encontrou com o presidente norte-americano Donald Trump dois dias antes do anúncio.
Governo cita “provocações” e ameaça retaliação
O Planalto sustenta que as “provocações da família do ex-presidente Jair Bolsonaro” geraram o endurecimento comercial. Amparado pela Lei de Reciprocidade aprovada pelo Congresso, o Executivo afirmou que adotará “toda e qualquer medida” para proteger empresas brasileiras.
Números apresentados por Brasília
Para rechaçar a acusação de práticas desleais, o governo apresentou dados que indicam superávit de US$ 424,5 bilhões dos EUA na relação bilateral nos últimos anos. Em 2025, o saldo norte-americano em bens foi de US$ 14,46 bilhões; somados os serviços, alcançou US$ 40,52 bilhões.
Também no ano passado, 76% das compras brasileiras oriundas dos EUA entraram com tarifa zero, resultando em alíquota média efetiva de 3,1%.
Participação dos EUA nas exportações cai
O Ministério das Relações Exteriores alertou que tarifas adicionais podem reduzir ainda mais a relevância dos EUA como destino das vendas brasileiras. No primeiro trimestre de 2026, a fatia norte-americana nas exportações do Brasil recuou para 9,4%, o menor percentual da série histórica.
Negociações seguem até julho
Apesar do atrito, Brasília informou que equipes técnicas dos dois países continuam trabalhando, conforme acordo firmado entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump em 7 de maio, para encerrar a investigação da Seção 301 até 15 de julho sem a aplicação de novas barreiras.
Com informações de Gazeta do Povo