Brasília – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) repudiou neste sábado, 30 de maio de 2026, a utilização da imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro em painéis de LED instalados no centro de Ciudad del Este, no Paraguai. As telas mostravam uma montagem em que o ex-chefe do Executivo brasileiro aparece desferindo um golpe contra um atleta identificado como o zagueiro paraguaio Gustavo Gómez.
Em mensagem publicada na rede social X e direcionada ao presidente paraguaio, Santiago Peña, Flávio classificou a exposição como “uso criminoso” da fotografia e pediu que os responsáveis sejam identificados. “Que as autoridades paraguaias responsabilizem os autores dessa inaceitável agressão”, escreveu o senador.
Mensagens provocativas no painel
A montagem, que teria sido produzida com recurso de inteligência artificial, estava acompanhada de frases em português como: “O Brasil mandou e desmandou no campo e na política!”, “No futebol, goleada”, “Na economia, liderança” e “Na diplomacia, respeito”. Os letreiros ainda relembravam a vitória de 4 a 0 da Seleção Brasileira sobre o Paraguai nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2022.
O conteúdo permaneceu no ar por cerca de duas horas, segundo informou a presidente da Câmara Municipal de Ciudad del Este, Allison Anisimoff. A exibição gerou revolta entre moradores, que chegaram a destruir alguns dos painéis e agredir um homem apontado como funcionário da empresa responsável pelo espaço publicitário.
Reação de autoridades paraguaias
O presidente do Congresso do Paraguai, Basilio Núñez, divulgou nota na qual classificou as mensagens como “afronta à dignidade” nacional e defendeu o histórico de cooperação entre os dois países. “O Paraguai merece respeito”, afirmou.
Representante jurídico de uma das proprietárias dos outdoors digitais, o advogado Francisco Centurión alegou que o sistema foi “hackeado” por terceiros que teriam acessado o software de controle remotamente. Ele ressaltou que os autores do ataque podem estar “em qualquer parte do mundo”.
O episódio reacendeu debates sobre ressentimentos históricos no país vizinho relacionados à Guerra do Paraguai (1864-1870) e provocou manifestações de moradores contrários ao teor das mensagens exibidas.
Com informações de Gazeta do Povo