Cidade do Vaticano, 29 mai. 2026 – Na primeira encíclica de seu pontificado, Magnifica Humanitas, o papa Leão XIV alerta para os riscos da presença irrestrita da inteligência artificial (IA) na educação e na vida familiar. O documento, divulgado nesta sexta-feira (29), dedica extensa reflexão ao impacto da tecnologia sobre crianças e adolescentes e conclama pais, educadores e formuladores de políticas a estabelecer “quando e com que propósito” a IA não deve ser utilizada.
Educação exige tempo e paciência
Leão XIV afirma que as “rápidas transformações tecnológicas” expõem a falta de preparo dos sistemas de ensino. Segundo ele, a cultura do imediatismo e da hiperestimulação criada pelas mídias digitais provoca fadiga, apatia e desinteresse pelo esforço necessário à busca da verdade. “A educação é uma longa jornada que requer paciência”, escreve o pontífice, lembrando que toda tecnologia “molda aqueles que a utilizam”.
Riscos de respostas prontas
O papa adverte que a facilidade de obter resumos e soluções por meio de IA pode “extinguir o desejo de fazer perguntas”. Citando a Sétima Carta de Platão (353 a.C.), ele defende moderação no uso das ferramentas digitais para que o pensamento humano não se torne supérfluo justamente quando é mais necessário.
Exposição precoce a telas
O documento também destaca consequências da exposição sem supervisão a dispositivos móveis: prejuízos ao sono, à atenção e à regulação emocional, além de acesso facilitado a conteúdo violento, degradante ou sexualizado. O papa menciona riscos de dependência, isolamento, bullying e pressões para compartilhamento de imagens íntimas.
Aliança entre famílias, escolas e Estado
Reconhecendo a dificuldade dos pais em enfrentar modelos de negócios que lucram com a atenção dos usuários, Leão XIV pede “políticas públicas de longo prazo” que protejam menores de idade. Ele elogia iniciativas de Austrália, França e Espanha para estabelecer limites etários, responsabilizar provedores e criar salvaguardas contra exploração sexual e violência online.
Professor em constante formação
Com currículos considerados defasados diante da IA, o pontífice sugere repensar espaços escolares, métodos de avaliação e o papel do docente. Defende ainda formação continuada de professores para uso responsável, crítico e criativo das novas tecnologias.
Combate ao conhecimento fragmentado
Leão XIV alerta que o fluxo incessante de informações pode substituir pesquisa, reflexão e discernimento, levando a um conhecimento fragmentado. Ele propõe ritmos que incluam silêncio, leitura aprofundada e análise criteriosa para preservar a liberdade interior.
Por fim, o papa convoca uma “aliança educacional” entre famílias, escolas, comunidades cristãs e instituições públicas, sustentada por princípios como sobriedade, senso de limites, responsabilidade e busca pelo bem comum. “As escolas não são chamadas a seguir o ritmo do mundo digital, mas a oferecer aquilo que a esfera digital por si só não pode fornecer: um tempo compartilhado para aprender e desenvolver relacionamentos confiáveis”, conclui.
Com informações de Gazeta do Povo