Rio de Janeiro – A Polícia Federal identificou uma relação direta entre favores de alto luxo oferecidos pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ao ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro e a aplicação de quase R$ 3,7 bilhões do fundo RioPrevidência na instituição financeira.
Degustação de uísque de US$ 1 milhão em Nova York
De acordo com relatório da oitava fase da Operação Compliance Zero, Vorcaro financiou uma degustação exclusiva de uísque em Nova York que custou mais de US$ 1 milhão (aproximadamente R$ 5 milhões). Na mesma viagem, um jantar saiu por mais de US$ 13 mil. A PF aponta “sincronismo” entre esses encontros privados e a liberação de recursos públicos para o banco.
Aportes bilionários e mudanças na gestão
Após as confraternizações, o RioPrevidência aplicou R$ 3,7 bilhões no Banco Master por meio de Letras Financeiras e fundos estruturados. Investigadores afirmam que alterações na diretoria do fundo ocorreram em momentos estratégicos, afastando quem alertava para os riscos das operações.
Recuo eleitoral do ex-governador
Com a quebra de sigilo do inquérito e a autorização do Supremo Tribunal Federal para novas diligências, Cláudio Castro anunciou, em 28 de maio de 2026, que desistia da candidatura ao Senado. Segundo ele, a decisão visa dedicar-se integralmente à defesa jurídica.
Outras autoridades em eventos similares
O inquérito ainda cita uma degustação de uísque em Londres, em 2024, que custou mais de R$ 3 milhões e contou com ministros do STF, o procurador-geral da República e parlamentares. O Supremo esclareceu que a participação em eventos sociais não configura irregularidade e que essas autoridades não são alvo da investigação.
O que dizem os envolvidos
A defesa de Cláudio Castro sustenta que todos os encontros tiveram caráter institucional. O Banco Master afirma que as operações seguiram critérios técnicos e legais. Já a defesa de Daniel Vorcaro não se pronunciou sobre as descobertas recentes da Polícia Federal.
Com informações de Gazeta do Povo