Figuras influentes do segmento evangélico iniciaram um movimento de afastamento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) depois que veio à tona o escândalo envolvendo o Banco Master, instituição ligada ao parlamentar. O episódio aumentou a desconfiança sobre a viabilidade de uma candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2026.
Silas Malafaia sinaliza recuo
Entre os principais nomes que reavaliam o apoio está o pastor Silas Malafaia. Já em dezembro, o líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo havia diferenciado publicamente Jair Bolsonaro do filho, questionando a “musculatura política” de Flávio. Na semana passada, Malafaia declarou que, “se aparecer mais coisa, fica difícil apoiar”, reforçando o clima de incerteza.
Alianças em compasso de espera
A revelação de operações suspeitas no Banco Master provocou duas reações entre caciques evangélicos.
- Silêncio estratégico: parte das lideranças opta por aguardar novos desdobramentos antes de se posicionar.
- Apoio condicionado: outros mantêm respaldo apenas se não surgirem novas denúncias contra o senador.
Parceria sob pressão
O apoio evangélico foi decisivo para a eleição de Jair Bolsonaro em 2018, garantindo capilaridade política e plataforma ideológica ao então candidato. Após o fim do mandato presidencial, Flávio buscou herdar essa coalizão, mas o custo de mantê-la subiu com as investigações sobre o Banco Master.
Analistas avaliam que, neste momento, Flávio Bolsonaro depende mais dos líderes evangélicos do que o inverso. Uma debandada agora fragilizaria o senador e daria força às críticas de que lhe falta base eleitoral robusta. Ainda assim, a porta para uma reaproximação segue aberta: caso decidam sustentar a candidatura, pastores como Malafaia podem exigir contrapartidas mais altas em eventual governo futuro.
Por ora, o escândalo bancário impõe desgaste imediato à imagem de Flávio Bolsonaro e reconfigura o tabuleiro religioso-político que sustentou o bolsonarismo nos últimos anos.
Com informações de Folha Gospel