Home / Economia / PF mira aportes de até R$ 3 bi da Rioprevidência em títulos de risco do Banco Master

PF mira aportes de até R$ 3 bi da Rioprevidência em títulos de risco do Banco Master

ocrente 1779812359
Spread the love

Rio de Janeiro – A Polícia Federal investiga se a Rioprevidência expôs até R$ 3 bilhões do fundo de aposentadoria dos servidores estaduais a aplicações consideradas de alto risco no Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025.

As suspeitas vieram à tona com as operações Compliance Zero e Barco de Papel, deflagradas na terça-feira, 26 de maio. Segundo os investigadores, os recursos foram destinados principalmente à compra de Letras Financeiras emitidas pelo Master – papéis sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e com baixa liquidez.

Mecanismo sob apuração

Documentos analisados pela PF apontam que a Rioprevidência recebeu promessa de rentabilidade acima da média praticada por bancos tradicionais. Em troca, teria aportado valores significativos em títulos cuja revenda é difícil e cujas garantias apresentam baixa transparência.

Relatórios técnicos internos teriam alertado para o risco das aplicações, mas, ainda assim, as operações foram aprovadas. Investigadores avaliam se o Banco Master utilizava a entrada de novos recursos de fundos públicos para honrar compromissos antigos, caracterizando uma rolagem permanente de capital.

Valores divergentes

Inicialmente, a Rioprevidência informou ter investido cerca de R$ 970 milhões no banco. Porém, com o avanço das investigações, o montante estimado chegou a R$ 3 bilhões. Em 2024, o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro apontou que aproximadamente 25% do patrimônio do fundo – cerca de R$ 2,6 bilhões – estava aplicado em papéis do Master.

Possível influência política

A PF também apura se o ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ) interferiu para facilitar os aportes no banco. A Rioprevidência administra aposentadorias e pensões de cerca de 235 mil servidores fluminenses.

Defesa dos envolvidos

Em nota divulgada após as primeiras diligências, a Rioprevidência afirmou que “o valor efetivamente investido foi de aproximadamente R$ 970 milhões, em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master S.A., e a operação segue regular, adimplente e plenamente enquadrada nos parâmetros legais e prudenciais”. Até o momento, não há condenações, e todos os investigados negam irregularidades.

Órgãos de fiscalização financeira continuam acompanhando o caso, que busca determinar se os recursos destinados a aposentadorias foram expostos a risco incompatível com as exigências de segurança e liquidez previstas em lei.

Com informações de Gazeta do Povo