Brasília, 26 de maio de 2026 – Mesmo tendo rejeitado a proposta de colaboração premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, a Polícia Federal (PF) já desmembrou o chamado Caso Master em ao menos cinco linhas de apuração. As frentes investigam supostas fraudes financeiras, corrupção institucional, espionagem, tráfico de influência e vazamentos de dados sigilosos.
1. Fraudes financeiras bilionárias
A Operação Compliance Zero apura se o Banco Master manipulou balanços, emitiu títulos sem lastro e criou carteiras de crédito fictícias para aparentar solidez. Investigadores afirmam que o banco captava recursos por CDBs, transferia valores a empresas de fachada e realocava os créditos em fundos do próprio grupo, mascarando riscos perante o Banco Central.
O desdobramento mais recente atingiu o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL). A PF verificou aplicações de cerca de R$ 3 bilhões do Rioprevidência em produtos ligados ao Master, inclusive letras financeiras sem cobertura do FGC entre 2023 e 2024. A defesa de Castro sustenta que todas as operações seguiram critérios técnicos.
2. Tentativa de venda ao BRB
A segunda frente examina possível corrupção institucional na tentativa de compra do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB). Segundo a PF, a direção do banco estatal teria injetado bilhões em ativos do Master e acelerado pagamentos internos para evitar a liquidação da instituição até que a operação fosse concluída. O Banco Central vetou a aquisição.
Nesse braço, foram presos o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e executivos da instituição, além do afastamento de dois diretores do Banco Central suspeitos de apoiar o esquema. A PF prepara relatório conclusivo sobre os supostos crimes.
3. Espionagem e intimidação
A terceira linha apura uma estrutura de monitoramento e obstrução de investigações ligada a Vorcaro. Relatórios apontam dois núcleos: A Turma, voltada a pressões físicas, e Os Meninos, responsável por invasões de sistemas e coleta irregular de dados. As ações resultaram em prisões preventivas – entre elas, o retorno de Daniel Vorcaro ao cárcere em março, a detenção do cunhado Fabiano Zettel e, mais tarde, do pai do ex-banqueiro, Henrique Vorcaro. A defesa dele classifica a prisão como “grave e desnecessária”.
4. Tráfico de influência em Brasília
Conversas extraídas de oito celulares de Vorcaro sugerem articulações com políticos, magistrados e agentes de fiscalização para favorecer o conglomerado financeiro. A PF cita indícios de repasses a autoridades e visitas frequentes a gabinetes no Congresso e em tribunais superiores.
Na quinta fase da operação, foram cumpridos mandados de busca contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI), acusado de receber valores ilícitos. O parlamentar nega irregularidades. Menções a contratos de R$ 129 milhões com a esposa do ministro Alexandre de Moraes e a negócios de uma empresa do ministro Dias Toffoli vieram a público, mas nenhum ministro do STF é alvo formal de inquérito.
5. Vazamentos de informações
A última frente investiga a divulgação indevida de dados sigilosos do processo. Um perito criminal federal foi afastado por suspeita de repassar conversas e documentos que mencionam contratos do entorno de ministros do STF. O inquérito tramita sob sigilo e apura se houve ação coordenada para antecipar conteúdo protegido por decisão judicial.
Com essas cinco linhas em curso, a PF mantém o Caso Master como uma das maiores investigações financeiras em andamento no país, enquanto a defesa de Daniel Vorcaro avalia apresentar nova proposta de delação.
Com informações de Gazeta do Povo