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Redução da jornada para 40 horas ameaça tirar R$ 77 bilhões do PIB e até 2,7 milhões de vagas, indicam estudos

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Brasília – A proposta que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e põe fim à escala 6×1 tramita na Câmara dos Deputados desde 24 de maio de 2026. Embora apresente ganhos potenciais de qualidade de vida, projeções da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam efeitos econômicos negativos expressivos.

Perda anual de R$ 77 bilhões

Segundo a CNI, a diminuição da jornada sem corte de salários provocaria retração anual de 0,7% no Produto Interno Bruto, o equivalente a R$ 77 bilhões. O encarecimento da folha de pagamento estimado é de 7%, elevando em cerca de R$ 267 bilhões os custos das empresas, sobretudo nos setores industrial e comercial.

Risco de até 2,7 milhões de demissões

Estudos citados no Congresso alertam para o fechamento de até 2,7 milhões de empregos formais. Grandes companhias poderiam recorrer à automação para compensar as horas perdidas, mas pequenos negócios, com margens menores, tendem a reduzir operações ou encerrar atividades.

Produtividade baixa agrava cenário

O Brasil ocupa a 94ª posição mundial em produtividade. Especialistas sustentam que o problema não se resume ao número de horas trabalhadas, mas à carência de tecnologia, gestão eficiente e infraestrutura. Sem avanços nessas áreas, cortar quatro horas semanais eleva custos e não gera riqueza adicional.

Inflação nos supermercados e serviços

Com maior gasto de mão de obra, a CNI projeta aumento de até 5,7% nos preços dos alimentos. Construção civil e turismo também calculam reajustes relevantes em imóveis e pacotes de viagem para repassar o novo dispêndio às tarifas finais.

Quem fica de fora

A mudança não atinge cerca de 40 milhões de trabalhadores informais — 38,1% da força de trabalho fora da CLT. Profissionais já contratados com jornadas reduzidas também não teriam benefício direto. Setores como aviação e logística alertam que escalas mais rígidas podem inviabilizar voos internacionais e comprometer o abastecimento de cidades.

O projeto segue em análise na Câmara, sem prazo definido para votação.

Com informações de Gazeta do Povo