Brasília, 24 de maio de 2026 – O ex-ministro da Educação e senador licenciado Camilo Santana (PT-CE) afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisa demonstrar “humildade” para reconhecer a crescente desaprovação do eleitorado ao terceiro mandato petista.
Em entrevista publicada nesta semana pela revista Veja, Santana reconheceu que as pesquisas de opinião registram hoje índices de reprovação superiores aos de aprovação e atribuiu parte desse cenário à grande expectativa criada pelos dois primeiros governos de Lula (2003-2010).
Expectativas não correspondidas
Segundo o ex-governador do Ceará, a população esperava resultados econômicos semelhantes aos dos mandatos anteriores, quando houve, de acordo com ele, “crescimento importante, ganho salarial e aumento do poder de compra”. “Talvez este governo não tenha tido a velocidade e capacidade”, admitiu.
Reconstrução de programas sociais
Santana afirmou que a prioridade do atual governo foi reconstruir políticas públicas, citando o Bolsa Família, o Luz para Todos, o ProUni e ações para retirar o Brasil do Mapa da Fome. Ele argumenta que o Executivo recebeu um país “com um desmonte muito grande” após a gestão de Jair Bolsonaro (PL), o que, em sua avaliação, limita a capacidade de entregar resultados em apenas quatro anos.
Comunicação e polarização
O senador licenciado reconheceu ainda falhas na comunicação do Planalto. Para ele, a polarização nas redes sociais e a disseminação de “fake news” impedem que a população conheça iniciativas positivas do governo. “Precisamos estudar a dificuldade de fazer as informações chegarem mais claras à população, mas também ter a humildade de avaliar em que estamos errando”, disse.
Novas demandas do eleitor
Ao comentar o cenário econômico, Santana avaliou que, mesmo com aumento da massa salarial, reajuste real do salário mínimo e queda do desemprego, os brasileiros passaram a buscar novos padrões de consumo, como celulares de alta performance, plataformas de streaming e aplicativos de entrega. A mudança, observou, ampliou o nível de endividamento e frustrou parte do eleitorado.
Questionado sobre o impacto dessas questões na popularidade do presidente, o ex-ministro reforçou a necessidade de Lula reconhecer a insatisfação popular e ajustar a agenda do Palácio do Planalto para recuperar a confiança do país.
Com informações de Gazeta do Povo