Relatórios de inteligência norte-americanos indicam que China e Rússia instalaram novas estações de escuta eletrônica em Cuba e mais que triplicaram o contingente de espiões na ilha desde 2023, informaram fontes ouvidas pelo The Wall Street Journal.
Segundo as autoridades consultadas, Pequim e Moscou consideram suas bases cubanas vitais para monitorar quartéis-generais dos Estados Unidos que coordenam operações no Oriente Médio e na América Latina, especialmente o Comando Central (CENTCOM), em Tampa, e o Comando Sul (SOUTHCOM), nos arredores de Miami.
Dezoito postos de coleta de sinais
A inteligência dos EUA mapeou pelo menos 18 locais dedicados à espionagem na ilha. Destes, três seriam operados pela China e dois pela Rússia; os demais pertencem ao regime de Havana. Alguns funcionam em regime de cooperação entre os três governos.
Embora os equipamentos interceptem principalmente comunicações não classificadas, Washington vê a expansão das instalações como uma ameaça direta às suas forças na região.
Resposta de Washington
Desde que Cuba foi designada pelo governo Donald Trump, em 2024, como “ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional, os EUA passaram a realizar voos quase diários de drones de vigilância ao redor do país e a reposicionar satélites espiões para monitorar a atividade na ilha.
Na esfera judicial, o Departamento de Justiça americano apresentou nesta semana acusações contra o ex-líder cubano Raúl Castro pelo abatimento de aviões civis em 1996, medida que elevou a pressão sobre Havana.
Negativa de Havana
O governo cubano rejeita as alegações de que permita operações estrangeiras de espionagem em seu território ou represente risco aos Estados Unidos. Especialistas observam, contudo, que a maior parte do esforço de inteligência de Havana continua voltado para a base naval de Guantánamo, no extremo sudeste da ilha.
Com informações de Gazeta do Povo