Rio de Janeiro – Operações policiais e intervenções do Supremo Tribunal Federal (STF) desmontaram o plano do PL de manter o controle do governo fluminense e abriram caminho para que o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD) possa vencer a eleição de 2026 já no primeiro turno.
Renúncia e impasse na sucessão
O governador Cláudio Castro (PL) renunciou em 23 de março para disputar uma vaga no Senado. Sem vice desde maio de 2025, a chefia do Executivo deveria ser assumida provisoriamente pelo presidente da Assembleia Legislativa (Alerj). Como o titular Rodrigo Bacellar (União Brasil) estava afastado após ser preso em dezembro, o cargo acabou nas mãos do presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto.
Por decisão do STF, Couto segue no Palácio Guanabara há dois meses e já exonerou ao menos 2.661 servidores, a maioria de cargos comissionados. Apenas nesta semana foram 328 cortes; na anterior, 356. A Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento lidera o número de demissões.
Estratégia do PL frustrada
Reeleito em 2022, Castro pretendia apoiar Bacellar ao governo, mas a prisão do deputado inviabilizou a candidatura. A família Bolsonaro então lançou o estadual Douglas Ruas (PL), filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson.
O grupo planejava eleger Ruas no mandato-tampão de abril a dezembro por eleição indireta na Alerj, garantindo visibilidade e uso da máquina pública. O STF, porém, ainda decide se vale a regra estadual (eleição indireta) ou o Código Eleitoral, que determina eleição direta quando faltam mais de seis meses para o fim do mandato. O julgamento foi suspenso em 9 de abril após pedido de vista do ministro Flávio Dino; o prazo para devolução é de 90 dias.
A segunda alternativa era Ruas assumir como presidente da Alerj. Ele foi eleito para o posto em 17 de abril, mas, em 24 de abril, o ministro Cristiano Zanin manteve Couto no governo até nova deliberação, frustrando novamente o PL.
Migração de aliados e pesquisas
Com o impasse, prefeitos e deputados ligados a Castro passaram a se aproximar de Paes. Na segunda-feira (18), o prefeito de Paraíba do Sul, Júlio Canelinha (União), entregou ao ex-prefeito uma camisa do Flamengo com seu nome e oficializou apoio. Dias antes, a deputada estadual Carla Machado trocou o grupo de Bacellar pelo PSD.
Levantamento Quaest/Genial, divulgado em 27 de abril com 1.200 entrevistados, mostra Paes entre 34% e 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 9% a 11% de Ruas. No segundo turno, o ex-prefeito marcaria 49%, ante 16% do deputado. A margem de erro é de três pontos percentuais.
Pressões e investigações
Enquanto isso, Castro se tornou alvo de operação da Polícia Federal, suspeito de ter criado regras fiscais para beneficiar o maior devedor de impostos do país. O ex-governador nega irregularidades. Couto, por sua vez, liberou acesso total da PF aos dados da antiga gestão; o computador do ex-secretário da Fazenda foi lacrado para eventual perícia.
Nos bastidores, circula ameaça de deputados aliados de divulgar lista de supostas funcionárias fantasmas ligadas a desembargadores, após as exonerações promovidas por Couto – até agora, porém, o documento não veio a público.
Em meio às incertezas jurídicas e às mudanças de lado de antigos aliados, a candidatura de Eduardo Paes ganha terreno, enquanto o PL busca alternativas para manter competitividade na disputa fluminense de 2026.
Com informações de Gazeta do Povo