Brasília, 20 de maio de 2026 – O Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta um racha interno envolvendo duas correntes de ministros que discordam sobre as prioridades da Corte diante de crises de credibilidade e pressões políticas.
Grupos antagônicos
De um lado, o presidente Edson Fachin, apoiado por Cármen Lúcia, Luiz Fux, André Mendonça e Nunes Marques, defende a adoção de um código de ética mais rígido e maior transparência nos procedimentos internos.
Do outro, a ala liderada por Gilmar Mendes – integrada por Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin – prioriza julgamentos de grande impacto econômico como estratégia para recuperar a imagem institucional.
Motivo da discórdia
A disputa ganhou força após suspeitas de conflitos de interesse no tribunal. Fachin propôs regras claras de conduta para conter o desgaste; Gilmar Mendes, contudo, avalia que mudanças abruptas podem abrir espaço para pressões por impeachment no Senado e prefere concentrar esforços em decisões voltadas a setores como mineração e infraestrutura.
Pauta econômica em foco
Entre os processos cobrados publicamente por Gilmar Mendes está a liberação da ferrovia Ferrogrão, considerada estratégica para o agronegócio. Para essa ala, julgamentos “positivos” na área econômica ajudariam a reduzir o impacto de investigações recentes sobre o tribunal.
Mudança na distribuição de processos
Na tentativa de impedir que advogados escolham relatores por meio de pedidos anexados a ações antigas, Fachin determinou que novos requerimentos apresentados em processos arquivados passem a ser analisados pela Presidência. A decisão, tomada sem consulta prévia, desagradou colegas que alegam ter sido surpreendidos pela medida.
Preocupação com o Senado
Aliados de Fachin afirmam que, sem um ajuste interno ainda em 2026, o novo Senado eleito no mesmo ano pode avançar sobre propostas que limitem os poderes individuais dos ministros ou mesmo iniciem processos de impeachment. A avaliação é de que a Corte precisa reforçar sua credibilidade antes que mudanças venham de fora.
O debate sobre ética e pauta econômica segue dominando as sessões internas do STF e não há previsão de consenso a curto prazo.
Com informações de Gazeta do Povo