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Golfinhos “bomba” viram tema inusitado em coletiva do Pentágono sobre Irã

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Washington (EUA) – O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, foi questionado em 5 de maio, durante entrevista coletiva no Pentágono, sobre relatos de que o Irã poderia usar “golfinhos kamikazes” para atacar navios americanos no Estreito de Ormuz.

Hegseth ironizou a possibilidade: disse não poder “confirmar nem negar” se Washington possui animais treinados para esse tipo de missão, mas garantiu que Teerã “definitivamente não tem” esse recurso.

Origem da polêmica

O assunto ganhou manchetes após reportagem do The Wall Street Journal, publicada em 30 de abril, citar autoridades iranianas discutindo o emprego de golfinhos carregando minas contra embarcações dos EUA. A emissora CNBC apurou, porém, que não há confirmação pública de que o Irã disponha dessa capacidade.

Programa americano existe desde 1959

O uso militar de mamíferos marinhos pelos EUA não é novidade. Desde 1959, a Marinha norte-americana mantém um programa de treinamento de golfinhos e leões-marinhos para localizar minas, vigiar áreas submersas e recuperar objetos no mar. Esses animais não são treinados para missões suicidas, mas sim para identificar ameaças com o auxílio da ecolocalização – um sonar biológico de alta precisão.

O estrategista Scott Savitz, da Rand Corporation, explicou à CNBC que golfinhos atuam melhor em mar aberto, enquanto leões-marinhos são preferidos em águas turvas. Em alguns cenários, o “biossonar” dos golfinhos supera sensores eletrônicos.

Precedentes históricos

Durante a Guerra Fria, a União Soviética também treinou golfinhos. Após o colapso da URSS, parte do programa permaneceu na Ucrânia, e a Rússia retomou o uso desses animais após anexar a Crimeia, em 2014. Há relatos de que o Irã teria comprado golfinhos soviéticos no início dos anos 2000, mas nunca houve confirmação de um projeto operacional em Teerã.

Os EUA já empregaram seus mamíferos marinhos em combate: em 2003, na Guerra do Iraque, golfinhos ajudaram a limpar minas no porto de Umm Qasr.

Contexto no Estreito de Ormuz

A discussão surge em meio à tensão contínua no Estreito de Ormuz, rota que concentra grande parte do comércio mundial de petróleo. Embora um cessar-fogo continue formalmente em vigor, Washington monitora de perto a movimentação iraniana na região estratégica.

Foi nesse cenário que a pergunta sobre “golfinhos kamikazes” viralizou, misturando uma hipótese pouco comum a uma prática militar real e antiga: o treinamento de animais para funções que sistemas eletrônicos ainda não executam com a mesma eficácia.

Com informações de Gazeta do Povo