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Lula acelera pacotes de benefícios para reduzir rejeição a cinco meses da eleição

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou nas últimas semanas uma série de medidas de impacto econômico e social com o objetivo de melhorar sua imagem a cinco meses do primeiro turno de 2026. As ações, vistas por opositores como eleitoreiras, incluem desde o fim da chamada “taxa das blusinhas” até novos programas de crédito e subsídios.

Alívio imediato para o bolso

A iniciativa de maior repercussão foi a revogação do imposto de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, tributo que vinha gerando desgaste entre consumidores de baixa renda e jovens. O recuo contrasta com a defesa anterior do próprio governo, que justificava a cobrança como forma de proteger a indústria nacional e reforçar a arrecadação.

No mesmo pacote, o Planalto reforçou mecanismos que seguram reajustes de combustíveis, por meio de subsídios indiretos da Petrobras, para evitar novos picos de inflação em gasolina, diesel e querosene de aviação.

Desenrola 2.0 e combate ao crime

Também foi lançada a fase Desenrola 2.0, nova rodada do programa de renegociação de dívidas inaugurado em 2023. O governo quer reduzir a inadimplência e restituir a capacidade de crédito para milhões de endividados.

Na segurança pública, anunciou-se um plano de R$ 11 bilhões contra o crime organizado, com recursos da União e do BNDES. A medida tenta responder a uma das principais fontes de insatisfação popular.

Construção civil e isenção no IR

Para estimular a geração rápida de empregos, o Executivo ampliará linhas de crédito para a construção civil e promete expandir programas habitacionais, como o Minha Casa, Minha Vida, além de sinalizar nova elevação da faixa de isenção do Imposto de Renda.

Pesquisas mostram rejeição alta

Apesar das iniciativas, levantamentos recentes apontam rejeição ainda elevada. Pesquisa Genial/Quaest feita de 8 a 11 de maio com 2.004 eleitores registra 53% de recusa direta a Lula, ante 55% no mês anterior; a margem de erro é de dois pontos percentuais (registro TSE BR-03598/2026). No mesmo estudo, Flávio Bolsonaro aparece com 54% de rejeição.

Já o Datafolha, aplicado em 12 e 13 de maio com a mesma amostra de entrevistados e igual margem de erro, indica que 47% “não votariam de jeito nenhum” no petista, enquanto Flávio Bolsonaro tem 43% (registro BR-00290/2026).

Efeito ainda incerto, dizem especialistas

Para Arthur Wittenberg, professor de Relações Institucionais do Ibmec-DF, o governo já colhe algum retorno: a parcela que percebeu notícias positivas sobre Lula subiu de 23% em abril para 32% em maio, segundo a Genial/Quaest. O conselheiro empresarial Ismar Becker, contudo, avalia que a forte polarização limita o alcance das novas medidas e que o impacto pode ficar restrito ao eleitor já simpático ao presidente.

Com o calendário eleitoral avançando, a dúvida em Brasília é se o pacote de bondades será suficiente para alterar a avaliação do governo antes do início oficial da campanha.

Com informações de Gazeta do Povo