Em artigo publicado nesta segunda-feira (18), o jurista e professor Ives Gandra da Silva Martins classificou como “a maior derrota que um presidente pode sofrer” a decisão do Senado Federal de rejeitar a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). A votação, ocorrida em 29 de abril, terminou com 42 votos contrários e 34 favoráveis à nomeação do atual advogado-geral da União.
Primeira rejeição em 132 anos
Gandra recorda que, desde a proclamação da República, há 132 anos, o Senado não vetava um nome indicado ao STF. Para o jurista, esse resultado expôs fragilidade na articulação política do Palácio do Planalto e representou um revés direto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Pontos criticados na sabatina
Segundo o autor, o momento mais delicado da defesa de Messias ocorreu quando o indicado atribuiu aos atos de 8 de janeiro o caráter de “golpe de Estado”. Gandra avalia que, por não envolver uso de armas, os fatos configurariam “baderna”, e não golpe, o que teria enfraquecido a argumentação do candidato durante a sabatina.
Pressão interna no Senado
O texto lembra ainda que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, e lideranças do Centrão demonstraram resistência ao nome sugerido por Lula, utilizando a votação para sinalizar força política diante do Executivo. No STF, o cenário também era dividido, com ministros favoráveis e contrários à escolha.
Impacto na governabilidade
Para Gandra, a rejeição desencadeou uma crise imediata na base governista, atrasando debates sobre temas econômicos considerados urgentes. O jurista sustenta que a insistência do Executivo em critérios de afinidade pessoal e ideológica, em vez de buscar consenso institucional, amplia o desgaste com o Legislativo.
Críticas à estratégia presidencial
O autor atribui o desfecho negativo a uma “falta de diálogo crônica” do governo com o Congresso e afirma que a escolha de Messias, descrito como “advogado pessoal” de Lula, não reuniu apoio suficiente entre os Poderes nem na sociedade. Ele também menciona problemas na economia, nas contas públicas e na política de juros como fatores que agravam a percepção de fragilidade do governo.
No encerramento do artigo, Gandra defende que o episódio sirva de alerta ao presidente para futuras indicações e para a condução da agenda no Legislativo.
Com informações de Pleno.News