Brasília – 17 mai. 2026 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ao jornal norte-americano The Washington Post que pretende intensificar o diálogo direto com Donald Trump. A estratégia, segundo Lula, visa reduzir atritos diplomáticos, evitar novas barreiras comerciais e rebater informações que, de acordo com o governo, estariam sendo disseminadas em Washington pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Pragmatismo como eixo central
Lula descreveu a iniciativa como “pragmática”. Embora reconheça divergências ideológicas profundas com Trump, o chefe do Executivo brasileiro sustenta que a manutenção de um canal franco pode garantir ao país o tratamento institucional adequado e ampliar a confiança de investidores norte-americanos.
Preocupação com Eduardo Bolsonaro
O Planalto atribui a Eduardo Bolsonaro a circulação de relatos “imprecisos” sobre a situação interna do Brasil, o que, na avaliação presidencial, poderia influenciar negativamente a política externa dos Estados Unidos. Ao estreitar laços com Trump, Lula pretende oferecer sua versão dos fatos e “blindar” a democracia brasileira contra pressões externas.
Comércio e tarifas no radar
A gestão petista quer evitar a retomada de tarifas de até 50% aplicadas anteriormente pelo republicano a produtos brasileiros. Lula aposta na boa relação pessoal para reduzir o risco de medidas protecionistas e, simultaneamente, atrair fluxo de capital norte-americano.
Pontos de discordância
Entre os temas sensíveis, figuram o programa nuclear do Irã, a crise venezuelana e o conflito na Palestina. Lula entregou documentos a Trump alegando que Teerã não estaria reconstruindo armamento atômico, na tentativa de convencer o ex-presidente dos EUA a adotar postura menos agressiva. O brasileiro também resiste à pressão para classificar organizações criminosas como PCC e Comando Vermelho como grupos terroristas internacionais.
Influência chinesa preocupa
Lula demonstrou incômodo com o fato de o comércio bilateral com a China representar atualmente o dobro do volume negociado com os Estados Unidos. Apesar disso, sinalizou abertura para uma cooperação mais intensa com Washington, desde que haja interesse concreto de investimento na América Latina.
As declarações foram dadas em entrevista publicada neste domingo (17) pelo Washington Post, pouco antes de nova rodada de contatos diplomáticos entre os dois países.
Com informações de Gazeta do Povo