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Lula busca aproximação com Trump para frear “falsidades” de Eduardo Bolsonaro, diz entrevista

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Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ao jornal norte-americano The Washington Post, em reportagem publicada neste domingo, 17 de maio de 2026, que pretende fortalecer o contato direto com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como estratégia para neutralizar “falsidades” divulgadas por Eduardo Bolsonaro sobre o Brasil e sua gestão.

A entrevista foi concedida em 7 de maio, na Casa Branca, logo após encontro reservado entre os dois chefes de Estado. Segundo Lula, manter um canal pessoal com Trump ajuda a reduzir tensões diplomáticas, evitar novas tarifas e impedir que aliados da família Bolsonaro influenciem a política externa norte-americana.

Tarifas e sanções em revisão

Menos de um ano antes, Trump havia aplicado tarifa de 50% sobre produtos brasileiros e sancionado autoridades do país em reação à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo Supremo Tribunal Federal. Desde setembro de 2025, porém, Lula e Trump já se reuniram três vezes e conversaram por telefone em quatro ocasiões; o republicano passou a elogiá-lo publicamente, retirou parte das tarifas e suspendeu sanções anteriores.

De acordo com o Post, Lula deseja transformar essa reaproximação em trunfo político às vésperas da eleição de outubro, na qual deve enfrentar o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Investimentos e soberania

O presidente brasileiro avaliou que a boa relação com Trump pode atrair mais investimentos dos EUA e garantir respeito internacional à democracia no país, sem abrir mão de divergências ideológicas. “Quem abaixa a cabeça pode não conseguir levantá-la novamente”, declarou, citando ensinamento de sua mãe, Dona Lindu.

“Consegui fazê-lo sorrir”

Lula relatou ao jornal que brincou com Trump nos corredores da Casa Branca, questionando a expressão séria do norte-americano em retratos oficiais. Segundo o petista, o episódio serviu para ilustrar seu método diplomático: “Se eu consegui fazer Trump rir, posso conseguir outras coisas também”.

Facções criminosas e Irã

Entre as preocupações de Lula está a possibilidade de Washington rotular PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, proposta abraçada por aliados de Flávio Bolsonaro. “Os Estados Unidos não vão fazer isso com o Brasil”, disse. Ele também entregou a Trump uma cópia do acordo nuclear de 2010 firmado por Brasil, Turquia e Irã e afirmou não haver evidências de que Teerã retome um programa atômico militar.

China à frente dos EUA no comércio

Lula demonstrou incômodo com a perda de espaço norte-americano na América Latina. “Hoje, meu comércio com a China é duas vezes maior do que com os Estados Unidos. Essa não é a preferência do Brasil. Se os EUA quiserem voltar para a frente da fila, ótimo, mas precisam querer”, afirmou.

O presidente ainda criticou o enfraquecimento de instituições multilaterais e o avanço de movimentos populistas de direita, atribuindo a crise da democracia à falta de resposta às “aspirações mais básicas” da população.

Apesar das divergências em temas como Irã, Venezuela e Palestina, Lula ressaltou que a relação pessoal com Trump permanece pragmática. “Minhas diferenças políticas não interferem na minha relação com ele como chefe de Estado”, concluiu.

Com informações de Gazeta do Povo