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Pequim aperta cerco econômico a Taiwan e coloca teste diplomático para Trump

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A visita de Estado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Pequim nesta semana reacendeu a tensão em torno de Taiwan. Enquanto o republicano discutia com o líder chinês Xi Jinping a entrega de um pacote de armas de US$ 11 bilhões aprovado por Washington em dezembro, o governo chinês intensificava uma estratégia silenciosa para isolar a ilha.

Fiscalização rigorosa no Estreito

Desde 2012, quando Xi chegou ao poder, o regime comunista vem ampliando ações para limitar o espaço aéreo e marítimo de Taiwan. A mais recente iniciativa é a exigência de inspeções alfandegárias em embarcações comerciais que se dirigem a portos taiwaneses, além de controles adicionais sobre voos civis que entram ou saem da ilha.

Segundo análise da revista Foreign Affairs, Pequim alega ter “direito” de regulamentar o trânsito de pessoas e mercadorias na “província rebelde”. Na prática, companhias estrangeiras temem perder acesso ao mercado chinês ou ter cargas retidas, o que pressiona o comércio exterior de Taiwan.

Aposta em sufocamento gradual

O consultor político Márcio Coimbra avalia que a China trocou a ameaça de invasão anfíbia por uma lawfare marítima, criando um bloqueio burocrático que impede a chegada de armamentos, peças de uso dual e assessores militares estrangeiros. O objetivo seria enfraquecer, passo a passo, a capacidade defensiva de Taipei sem desencadear conflito direto.

Coimbra observa que a “permeabilidade seletiva” permite a saída de chips avançados — Taiwan responde por até 90% da produção global — enquanto a China assegura controle progressivo sobre a cadeia de semicondutores.

Exercícios militares e impacto geopolítico

Em dezembro, o Exército Popular de Libertação realizou a operação “Missão Justiça 2025”, mobilizando 14 navios da guarda costeira e 18 navios de guerra para simular bloqueios a cidades portuárias taiwanesas. As manobras demonstraram capacidade de impor quarentena parcial ou total à ilha.

Esse tipo de ação coloca Washington diante de um dilema: qualquer intervenção da Marinha norte-americana para quebrar o cerco regulatório poderia ser interpretada como primeiro ato de agressão. Trump, porém, declarou nesta sexta-feira (15) ter tido “bom entendimento” com Xi sobre a questão, afirmando que o líder chinês “não quer ver” uma disputa pela independência da ilha.

Por ora, a Casa Branca avalia responder via sanções comerciais, mas, enquanto o fluxo de bens considerados essenciais aos EUA permanece estável, a tensão segue contida.

Com informações de Gazeta do Povo