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Defesa de Daniel Vorcaro mira nulidades e deixa delação em segundo plano, dizem especialistas

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Brasília — A transferência do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, para uma cela comum no Complexo Penitenciário da Papuda, na quinta-feira (25), reforçou a percepção de que sua defesa passou a priorizar a anulação da investigação da Operação Compliance Zero em vez de negociar nova delação premiada.

Criminalistas ouvidos apontam que os advogados devem concentrar esforços em possíveis nulidades processuais, entre elas:

  • questionamentos sobre a cadeia de custódia de aparelhos eletrônicos apreendidos, citando vazamentos de conversas pessoais de Vorcaro;
  • alegações de vazamento de dados sigilosos e “contaminação” de provas;
  • suposta violação ao princípio do juiz natural, após mudanças de relatoria no Supremo Tribunal Federal (STF);
  • eventuais irregularidades em procedimentos da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Comentários de ministros do STF alimentam tese

Especialistas lembram que o ministro Gilmar Mendes, ao votar sobre a prisão de parentes do ex-banqueiro, fez críticas à condução do caso e comparou eventuais falhas às que levaram à anulação de etapas da Lava Jato. Para a doutora em Direito Público Clarisse Andrade, manifestações semelhantes podem abrir espaço no STF para acolher pedidos de nulidade.

Delação perde tração

A aposta na anulação ganhou força depois que a PF e a PGR rejeitaram, por falta de elementos, a segunda proposta de colaboração de Vorcaro — que previa devolver cerca de R$ 40 bilhões em dez anos. A possibilidade de acordo também esfriou com a transferência do investigado da Superintendência da PF para a “Papudinha”.

Segundo o criminalista Márcio Nunes, o silêncio do ex-banqueiro sobre eventuais ligações com membros dos Três Poderes indica que o foco agora é “exclusivamente processual”. Para o constitucionalista André Marsiglia, as sucessivas idas e vindas nas tratativas servem para “esquentar” futuras nulidades: “Vejo uma etapa alimentando a outra”.

Próximos passos

Nos bastidores, avalia-se que a defesa deve reforçar o time com especialistas em direito processual, embora nenhum movimento oficial tenha sido anunciado. O relator do caso no STF, ministro André Mendonça, já sinalizou que não homologará delação “seletiva”, o que, na visão do constitucionalista Alessandro Chiarottino, incentiva os advogados a concentrar a estratégia em falhas formais da investigação.

Enquanto isso, a PF e a PGR analisam proposta de colaboração do cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, igualmente considerada superficial. Caso também seja rejeitada, aumenta a tendência de a defesa investir todas as fichas na tese de nulidade para travar ou invalidar parte das provas colhidas na Compliance Zero.

Com informações de Gazeta do Povo