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Pastores batistas são assassinados em emboscada após encontro pela paz no nordeste da Índia

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Nova Délhi, 14 mai. 2026 – Três pastores batistas foram mortos a tiros e pelo menos cinco pessoas ficaram feridas na manhã de quarta-feira (13) durante uma emboscada no estado de Manipur, nordeste da Índia. O ataque ocorreu por volta das 10h25, na estrada Imphal-Tamenglong, entre as aldeias Kotzim e Kotlen, quando o grupo regressava a Kangpokpi após participar de uma conferência inter-religiosa sobre reconciliação em Churachandpur (Lamka).

Quem são as vítimas

Segundo a Aliança Evangélica da Índia (EFI), os mortos pertenciam à Associação Batista Thadou da Índia (TBAI):

• Rev. Dr. Vumthang Sitlhou – presidente da TBAI e ex-secretário-geral da Convenção Batista de Manipur;
• Pr. Kaigoulun Lhouvum – secretário de finanças, juventude e música da TBAI;
• Pr. Paogoulen Sitlhou – pastor superintendente da denominação.

Entre os feridos estão o Rev. SM Haopu Sitlhou, o Rev. Kaithang Singsit, Thangtinlen Sitlhou e Lungoumang Lhouvum. Três deles foram transferidos para o Instituto de Pesquisa e Hospitais Shija, em Imphal.

Reações imediatas

Entidades cristãs, líderes comunitários e autoridades regionais condenaram o atentado. O secretário-geral da EFI, Rev. Vijayesh Lal, classificou o crime como “profundamente perturbador e trágico” e pediu investigação rápida. Organizações como o Fórum Cristão Unido do Nordeste da Índia (UCFNEI), o Conselho de Igrejas Batistas do Nordeste da Índia (CBCNEI) e a Conferência Episcopal Católica da Índia manifestaram pesar e apelaram à paz.

Contexto do conflito

Manipur, fronteiriço a Mianmar, vive onda de violência desde maio de 2023 envolvendo a maioria hindu Meitei e comunidades tribais cristãs Kuki-Zo. Nos últimos meses, também se intensificaram atritos entre Kuki-Zo e povos Naga, ambos majoritariamente cristãos. O Rev. Dr. Sitlhou era um dos mediadores desse diálogo e havia participado de reuniões em Kohima e Churachandpur na véspera do assassinato.

Disputa sobre autoria

Grupos Kuki-Zo acusam uma facção da Frente Unida Zeliangrong (ZUF-Kamson), supostamente aliada a insurgentes NSCN-IM e militantes Meitei, de executar a emboscada. A ZUF e o NSCN-IM negam envolvimento, alegando uso indevido de seus nomes. A polícia confirmou que as investigações estão em curso e, até a noite de quarta-feira, ninguém havia sido preso.

Posicionamento do governo

O ministro-chefe de Manipur, Yumnam Khemchand Singh, visitou os feridos em Imphal e garantiu que o estado custeará o tratamento médico. Em nota, chamou o ataque de “ato terrorista covarde” e prometeu mobilizar todos os recursos para capturar os responsáveis. Paralelamente, a Organização de Estudantes Kuki proclamou paralisação por tempo indeterminado e manifestantes bloquearam trechos da Rodovia Nacional 2.

Clamor por paz

Em pronunciamentos separados, o CBCNEI e o Conselho da Igreja Batista de Nagaland exortaram as comunidades cristãs a rejeitar retaliações e “transcender divisões étnicas”. Já o Thadou Inpi Manipur declarou os pastores como “Mártires Thadou”, destacando a complexidade étnica da região.

O ataque desta quarta-feira representa um dos episódios mais letais contra líderes religiosos em Manipur nos últimos anos, reforçando a volatilidade de um conflito que já desalojou dezenas de milhares de pessoas desde 2023.

Com informações de Folha Gospel