ROMA, 12 de maio de 2026 – O cardeal suíço Emil Paul Tscherrig, ex-núncio apostólico e figura central da diplomacia vaticana nas últimas décadas, morreu nesta terça-feira (12) aos 79 anos.
Trajetória e formação
Nascido em 3 de fevereiro de 1947, em Unterems, Suíça, Tscherrig foi ordenado sacerdote em 11 de abril de 1974. Doutor em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Gregoriana, ingressou no serviço diplomático da Santa Sé em 1978.
Missões diplomáticas
Durante quase meio século, atuou em representações pontifícias em Uganda, Coreia do Sul, Mongólia e Bangladesh. Nomeado pelo papa João Paulo II como arcebispo titular de Voli e núncio no Burundi em 4 de maio de 1996, foi consagrado bispo em 27 de junho do mesmo ano pelo então secretário de Estado, cardeal Angelo Sodano.
Em 8 de julho de 2000, assumiu a nunciatura em Trinidad e Tobago, República Dominicana, Jamaica, Granada, Guiana, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas e Bahamas; depois acrescentou Barbados, Antígua e Barbuda, Suriname e São Cristóvão e Névis à lista de nações sob sua responsabilidade diplomática.
Tscherrig tornou-se núncio na Coreia do Sul e na Mongólia em 22 de junho de 2004. Em 26 de janeiro de 2008, o papa Bento XVI o enviou à Escandinávia como representante pontifício na Suécia, Dinamarca, Finlândia, Islândia e Noruega.
Transferido em 5 de janeiro de 2012, dirigiu a nunciatura na Argentina até setembro de 2017, quando o papa Francisco o nomeou núncio apostólico na Itália e em San Marino — cargo tradicionalmente ocupado por italianos desde o século XVI. A nomeação quebrou um tabu histórico no corpo diplomático da Igreja.
Cardinalato e últimos anos
Elevado ao Colégio Cardinalício por Francisco em 30 de setembro de 2023, recebeu a diaconia de San Giuseppe in Via Trionfale. Deixou a nunciatura italiana em 11 de março de 2024 ao completar o limite etário para o serviço diplomático, sendo sucedido pelo arcebispo Petar Rajič.
Em maio de 2025, participou do conclave que escolheu o papa Leão XIV. Até sua morte, integrava a comissão cardinalícia do Instituto para as Obras de Religião, conhecido como Banco do Vaticano.
Reações
O papa Leão XIV enviou telegrama de condolências à família do cardeal e à diocese de Sion, à qual Tscherrig era incardinado, destacando seu “fiel serviço” em diversas nações e sua atuação em vários dicastérios da Santa Sé. O pontífice rezou para que Deus “o acolha na luz que não conhece ocaso” e concedeu bênção apostólica aos enlutados.
Tscherrig deixa como legado uma carreira marcada pela quebra de tradições diplomáticas e pela presença em alguns dos postos mais estratégicos da Santa Sé.
Com informações de Gazeta do Povo