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Relatório registra 38 crimes de ódio anticristãos em abril na Europa; França lidera

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Bruxelas, 6 jun – O Observatório sobre a Intolerância e a Discriminação contra os Cristãos na Europa (OIDAC Europa) contabilizou 38 crimes de ódio anticristãos ao longo de abril em vários países do continente. As ocorrências incluíram ataques violentos durante celebrações da Semana Santa, vandalismo a templos, profanações, incêndios criminosos e agressões físicas a membros do clero e fiéis.

Números por país

A França concentrou o maior volume de registros, com 10 casos. Alemanha e Itália aparecem em seguida, ambas com 7 incidentes cada. Segundo a organização, houve “aumento notável” de violência direta e interrupção de cultos especialmente na Páscoa.

Principais ocorrências

Entre os episódios mais graves citados pelo relatório estão ataques a igrejas na Alemanha e na Itália, a invasão violenta de um templo na França durante as festividades pascais e agressões contra cristãos na Irlanda e na Espanha. Houve ainda atos recorrentes de vandalismo contra estátuas, crucifixos, altares, tabernáculos e cruzes funerárias, além de pichações com slogans anticristãos e satânicos, sobretudo em território francês e italiano.

Violência física e incêndios

A análise da OIDAC menciona a agressão a um padre durante missa na Irlanda, um ataque com machado na Espanha motivado por hostilidade religiosa e a violência contra uma mulher cristã em Barcelona. Embora os casos de incêndio criminoso tenham caído levemente em relação a março, episódios de intimidação e ataques a símbolos cristãos se intensificaram no período pascal.

Subnotificação de casos

O observatório destaca que muitos furtos, arrombamentos e incêndios suspeitos em igrejas não foram oficialmente classificados como crimes de ódio por falta de provas sobre motivação, mas revelam vulnerabilidades persistentes nas comunidades cristãs.

Situação no Reino Unido

Em paralelo, a Countryside Alliance apontou quase 4.000 delitos contra igrejas e locais religiosos no Reino Unido em 2025, 271 deles no País de Gales, alimentando preocupações sobre a escalada da violência.

Cenário jurídico e político

O relatório também cita decisões recentes que envolvem liberdade religiosa, como a condenação do pastor norte-irlandês Clive Johnston por realizar culto ao ar livre perto de uma clínica de aborto em Coleraine, e a absolvição da escocesa Rose Docherty, acusada sob a lei de “zona tampão” por exibir cartaz ofertando conversas perto de um hospital em Glasgow.

Outro ponto mencionado é o recurso da Igreja Comunitária Pão da Vida, em Colchester (Essex), contra restrições de pregação amplificada impostas por autoridades locais, além de um acordo judicial com o ex-jornalista da BBC David Campanale, após o Partido Liberal Democrata admitir discriminação religiosa em sua deseleção como candidato parlamentar.

Reações e perspectivas

A OIDAC Europa saudou resolução da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa sobre discriminação religiosa, mas lamentou que o texto final não cite explicitamente crimes de ódio anticristãos. A entidade também apontou sinais positivos, como números recordes de batismos na Páscoa — só na França foram mais de 22 mil este ano —, e pediu lembrança das vítimas de ataques fora do continente, a exemplo dos atentados de Páscoa na Nigéria.

Para a diretora-executiva da organização, Anja Tang, os dados de abril mostram que “a hostilidade anticristã continua a afetar igrejas, cristãos, cemitérios e espaços sagrados em vastas áreas da Europa”, sendo provável que muitos casos permaneçam sem registro oficial.

Com informações de Folha Gospel