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Irã reforça domínio no Estreito de Ormuz e avisa: quem seguir sanções dos EUA terá travessia complicada

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O governo iraniano anunciou neste domingo, 10 de maio de 2026, a implantação de um “novo sistema jurídico e de segurança” no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Segundo o porta-voz do Exército, general de brigada Mohammad Akraminia, qualquer nação que aplicar as sanções dos Estados Unidos contra Teerã “certamente enfrentará problemas” para navegar pela passagem estratégica.

“A partir de agora, os países que acompanharem Washington nas punições à República Islâmica do Irã enfrentarão dificuldades ao atravessar o Estreito de Ormuz”, declarou Akraminia à agência estatal Irna. O militar acrescentou que o Irã exerce “controle fundamental e estratégico” sobre a via marítima e que todo navio deverá coordenar a travessia com as autoridades iranianas.

Potencial econômico e político

De acordo com o porta-voz, o novo regime de controle pode gerar impactos econômicos, políticos e de segurança, além de “neutralizar” parte das chamadas sanções secundárias e primárias impostas por Washington. Akraminia afirmou que Teerã ainda não havia utilizado totalmente esse “potencial geopolítico”, mas a atual conjuntura regional motivou o país a redefinir as regras de navegação.

Ameaça direta ao Bahrein

No sábado, 9 de maio, a Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano advertiu o Bahrein sobre o risco de um bloqueio permanente do estreito caso o pequeno reino continue apoiando um projeto de resolução apresentado aos Estados Unidos no Conselho de Segurança da ONU. “Alertamos o governo microscópico do Bahrein sobre as graves consequências dessa ação”, escreveu o deputado Ebrahim Azizi na rede X, pedindo que Manama “não feche para sempre as portas” de Ormuz.

Projeto de resolução na ONU

A proposta de Washington e Manama, distribuída em 7 de maio, pede que o Irã pare de atacar embarcações, instalar minas e cobrar pedágios de navios que buscam passagem pelo estreito. O texto tem apoio de Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos e removeu menções ao Capítulo VII da Carta da ONU — que autoriza o uso da força — após veto de Rússia e China a uma versão anterior. Mesmo assim, o embaixador iraniano na ONU, Amir Saeid Iravani, classificou o rascunho como “defeituoso” e movido por “viés político”.

Escalada desde fevereiro

Restrições impostas por Teerã ao trânsito de navios no Estreito de Ormuz estão em vigor desde 28 de fevereiro, quando começou a guerra contra Israel e os EUA. A medida fez o preço do barril de petróleo superar US$ 100. Em resposta, Washington iniciou em 13 de abril um bloqueio naval a portos e embarcações iranianas na tentativa de pressionar por um acordo de paz, ainda não concluído.

A tensão resultou em trocas de ataques nos dias 8 e 9 de maio, apesar do cessar-fogo acertado em 8 de abril. Os Estados Unidos disseram ter bombardeado instalações militares iranianas na costa em retaliação a ofensivas contra seus navios, enquanto Teerã alegou que disparou mísseis após dois petroleiros iranianos terem sido atingidos anteriormente.

O cenário mantém o Estreito de Ormuz sob risco de novos bloqueios, com possíveis reflexos no abastecimento global de energia.

Com informações de Gazeta do Povo