Em 1981, um acidente de avião nos Campos Gerais, no Paraná, rompeu a linha de comando do Banco Bamerindus e iniciou a trajetória que levaria a instituição financeira à intervenção do Banco Central 16 anos depois.
Quem morreu no desastre de 1981
O bimotor Piper Seneca II decolou de Curitiba rumo a uma fazenda em Joaquim Távora e caiu entre Piraí do Sul e Arapoti sob forte neblina e formação de gelo na fuselagem. Morreram o presidente do banco, Tomaz Edison de Andrade Vieira; o vice-presidente e irmão dele, Cláudio Enoch de Andrade Vieira; três filhos de Cláudio; e o piloto Dalton Nicoleti.
Reorganização após a perda dos dirigentes
Com a morte dos principais executivos, o controle passou ao único irmão sobrevivente, José Eduardo de Andrade Vieira, conhecido como “Zé do Chapéu”. Voltado originalmente ao agronegócio e à política — mais tarde foi senador e ministro —, ele comandou uma rápida expansão que transformou o Bamerindus no segundo maior banco privado do país em número de agências na década de 1990.
A gasolina do crescimento: o “float” inflacionário
O lucro expressivo surgiu na era de inflação superior a 40% ao mês. Os bancos captavam recursos em contas correntes sem remuneração e os aplicavam em títulos públicos de curtíssimo prazo, apropriando-se da correção monetária. Nesse ambiente, a análise de crédito foi relegada a segundo plano.
Plano Real esvazia a margem de lucro
Com a adoção do Plano Real em 1994 e o controle da inflação, o ganho fácil desapareceu. O Bamerindus precisou concentrar-se na concessão de crédito, área em que tinha pouca experiência. A inadimplência disparou, e investimentos pesados em setores industriais, como a fábrica de papel Inpacel, imobilizaram capital.
Intervenção e fim da instituição
Em março de 1997, o Banco Central decretou intervenção. A operação saudável foi vendida ao HSBC; os ativos problemáticos ficaram sob liquidação extrajudicial. José Eduardo atribuiu a medida a uma suposta retaliação política do governo Fernando Henrique Cardoso. O processo de liquidação só foi encerrado em 2013, quando o BTG Pactual adquiriu o espólio remanescente, encerrando a história de um dos maiores símbolos econômicos do Paraná.
Com informações de Gazeta do Povo