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Alcolumbre teria pedido proteção a Lula dias antes da rejeição de Jorge Messias ao STF

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Duas semanas antes de o Senado barrar a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), buscou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para relatar desconforto com inquéritos em curso na Polícia Federal (PF) e pedir ajuda, segundo a jornalista Malu Gaspar.

A conversa, de acordo com o relato, ocorreu em 14 de julho, durante a posse do deputado José Guimarães (PT-CE) como novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais, responsável pela articulação política do Palácio do Planalto. Na ocasião, Alcolumbre disse sentir-se “perseguido” pela PF e mostrou preocupação especial com a delação premiada do empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.

Interlocutores ouvidos por Malu Gaspar afirmam que o senador qualificou a colaboração de Vorcaro como “repleta de mentiras” e solicitou que Lula o ajudasse a se proteger de supostas injustiças. O presidente respondeu que não interfere nas apurações de PF, Ministério Público Federal ou Supremo e citou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, como responsável por evitar abusos.

Derrota histórica no plenário

No dia 28 de julho, o plenário do Senado rejeitou o nome de Jorge Messias para o STF: 34 votos a favor e 41 contra, distante dos 45 necessários. No Planalto, o revés passou a ser interpretado como possível retaliação de Alcolumbre à falta de respaldo do governo frente às investigações.

Investigações sensíveis e CPI arquivadas

Além da delação de Vorcaro, o presidente do Senado acompanha outros inquéritos que tramitam no STF sob relatoria do ministro André Mendonça, entre eles:

  • supostos descontos ilegais em aposentadorias do INSS;
  • aplicações milionárias do fundo de pensão do Amapá em letras financeiras do Banco Master.

A gestão de Alcolumbre já impôs sigilo de 100 anos aos registros de entrada do lobista conhecido como Careca do INSS, apontado como peça-chave no caso dos descontos. Também negou, via Lei de Acesso à Informação, pedidos de dados sobre visitas de Daniel Vorcaro ao Senado, além de ter arquivado o pedido para criação da CPI do Banco Master e não renovar a CPI do INSS.

Negativa oficial

Procurado, Alcolumbre declarou, por nota, que nunca tratou de Banco Master ou de qualquer investigação com Lula e negou ter pedido proteção política. A assessoria do senador afirma ainda que ele não mantém relação com o Banco Master e não é alvo de apuração sobre o tema.

Aliados na mira

Entre os investigados está o senador Weverton Rocha (PDT-MA), relator da indicação de Messias. Ele foi alvo de busca e apreensão em dezembro, durante a Operação Sem Desconto, que apura fraudes bilionárias em benefícios do INSS. Weverton assegurara ao governo que Messias teria ao menos 45 votos favoráveis antes da derrota consumada no plenário.

Com o desfecho, o Planalto soma uma das mais significativas derrotas de seu terceiro mandato e observa com cautela o avanço de apurações que atingem parlamentares influentes.

Com informações de Direita Online