O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump se reuniram nesta quinta-feira (7) na Casa Branca para tratar de investimentos norte-americanos no Brasil e do fornecimento de minerais críticos. O encontro buscou reaproximar economicamente os dois países e enviar a mensagem de que Brasília deseja equilibrar a crescente presença chinesa no mercado brasileiro.
Autonomia na disputa entre potências
Lula afirmou que os Estados Unidos perderam espaço para a China na América Latina e que o Brasil pretende “equalizar a balança”. Trump classificou a conversa como “positiva”. Segundo o Palácio do Planalto, foram apresentadas oportunidades em setores estratégicos, como energia e tecnologia, além de iniciativas para aliviar tensões comerciais bilaterais.
Minerais críticos no centro da mesa
Com 23% das reservas mundiais de minerais estratégicos — essenciais para a produção de chips, baterias e equipamentos de defesa —, o Brasil é o segundo maior fornecedor global desses insumos. Washington quer diminuir a dependência de Pequim nesse segmento, enquanto o governo brasileiro sinaliza que não concederá exclusividade aos EUA e continuará aberto a aportes de outras nações.
Reação esperada de Pequim
Analistas ouvidos pelo governo brasileiro avaliam que a China não deve retaliar de forma direta. A tendência é que o país asiático responda oferecendo mais capital e condições de financiamento para obras de logística, portos e energia, dentro da Nova Rota da Seda, com o objetivo de manter sua posição na economia brasileira.
Quem investe mais no Brasil
Apesar do ritmo acelerado dos aportes chineses nos últimos anos, os Estados Unidos concentram o maior estoque de investimento direto no Brasil: mais de R$ 1 trilhão em 2024, quase seis vezes o volume chinês. Enquanto o capital americano se concentra em serviços e tecnologia, os chineses apostam em mineração e petróleo.
Próximos passos
Decisões finais sobre áreas consideradas sensíveis, como o regime para minerais estratégicos e temas de segurança nacional, devem ficar para depois das eleições presidenciais de outubro. O Congresso aprovou recentemente um novo marco legal para o setor, e Lula reiterou que o controle desses recursos é questão de soberania. Questionado sobre eventual inclusão de facções criminosas brasileiras em listas internacionais de organizações terroristas, o presidente negou ter discutido o assunto publicamente.
Com informações de Gazeta do Povo