Os anexos da delação premiada do empresário Daniel Vorcaro, entregues às autoridades na última terça-feira (5), indicam que um contrato de R$ 129 milhões firmado com a esposa do ministro Alexandre de Moraes teria como finalidade facilitar a aproximação do delator ao magistrado do Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com trechos vazados à imprensa, Vorcaro relatou que temia citar integrantes da Corte, mas decidiu fazê-lo após a apreensão de vários celulares e diante de outras colaborações previstas, como a do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa.
Os documentos ainda aguardam homologação definitiva, mas já sugerem que o valor pago à família de Moraes não seria o maior entre os contratos firmados pelo empresário. Segundo o material, a prática de destinar quantias expressivas para obter vantagens junto a autoridades públicas seria um “padrão negocial”.
Especialistas lembram que, caso confirmada a oferta de benefícios indevidos, a conduta se enquadra no crime de corrupção previsto na legislação brasileira. Até o momento, não há imputação formal contra o ministro nem contra outras pessoas citadas.
Na sessão do STF de segunda-feira (4), o ministro Flávio Dino comentou não compreender como as irregularidades do chamado “caso Master” teriam passado despercebidas pelos Três Poderes. As revelações da delação podem fornecer novos elementos para essa resposta.
A investigação continua sob sigilo e não há prazo divulgado para a conclusão da análise do material nem para eventual apresentação de denúncias.
Com informações de Pleno.News