São Paulo – 6 de maio de 2026. O presidente da Latam Brasil, Jerome Jacques Cadier, afirmou nesta terça-feira (5) que a proposta em discussão no Congresso para extinguir a escala de trabalho 6×1 pode tornar inviável a operação de voos internacionais com origem ou destino no país.
Durante coletiva sobre os resultados do primeiro trimestre da companhia aérea, Cadier explicou que a inclusão de pilotos e comissários no novo regime impediria a realização de trajetos com duração superior a oito horas – tempo que abrange a maior parte das rotas brasileiras para outros continentes.
Impacto financeiro
Levantamento da Associação Brasileira das Empresas de Serviços Auxiliares de Transporte Aéreo (Abesata) mostra que 53,2% dos trabalhadores do setor atuam hoje em escala 6×1. A eventual adoção do modelo 5×2 elevaria os custos operacionais em, no mínimo, 20%, segundo a entidade.
Reação no Congresso
A proposta para extinguir a escala 6×1 avançou na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em 22 de abril, por meio de duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs) apresentadas pelo presidente da comissão, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB).
Nas redes sociais, a autora de uma das PECs, deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), ironizou a declaração do executivo. Em publicação no X (antigo Twitter), ela comparou a jornada francesa de 35 horas semanais e afirmou que uma escala reduzida não impede viajantes de outros países.
Salário mínimo de R$ 100 mil
No mesmo dia, o deputado Mauricio Marcon (PL-RS) protocolou o Projeto de Lei 2.174/2026, que propõe salário mínimo de R$ 100 mil, com reajustes anuais de pelo menos 50%. A iniciativa, segundo o parlamentar, busca satirizar a tentativa de reduzir jornada sem cortes salariais, argumentando que não se pode estabelecer por lei o valor gerado pelo trabalho.
A discussão sobre a jornada de trabalho segue sem data para votação em plenário, mas já provoca mobilização de empresas aéreas, sindicatos de trabalhadores e parlamentares.
Com informações de Gazeta do Povo