Estocolmo – O governo sueco comunicou ao Parlamento, no fim de abril, que deixará de usar a palavra “islamofobia” em todas as comunicações oficiais. A decisão foi apresentada pela ministra das Relações Exteriores, Maria Malmer Stenergard, durante sessão parlamentar.
Segundo a chanceler, o termo transmite a ideia de um “medo irracional” individual, o que, na avaliação do Executivo, não descreve corretamente episódios de discriminação. “Islamofobia” também poderia, de acordo com Stenergard, confundir críticas legítimas à religião com preconceito dirigido a pessoas muçulmanas.
Novas expressões adotadas
A partir de agora, o Executivo passará a empregar expressões como “racismo antimuçulmano” ou “ódio contra muçulmanos” para se referir a atos de discriminação. Estocolmo pretende ainda levar a mudança a fóruns internacionais, pressionando União Europeia (UE) e Organização das Nações Unidas (ONU) a adotarem nomenclatura semelhante.
Contexto político
A alteração ocorre em meio a críticas recorrentes dentro do país ao uso de “islamofobia”. Para alguns setores, a palavra estaria sendo utilizada para conter debates sobre religião e sobre as políticas migratórias europeias. O eurodeputado conservador sueco Charlie Weimers, que celebrou a medida nas redes sociais, afirmou que o conceito tem sido explorado por grupos islâmicos para avançar agendas políticas e captar recursos públicos.
A mudança integra um pacote mais amplo de políticas da coalizão de centro-direita liderada pelo primeiro-ministro Ulf Kristersson, que vem adotando postura mais rígida em temas como imigração, integração e influência de movimentos islâmicos na política sueca.
Reações
Entidades ligadas à liberdade de expressão saudaram a decisão, argumentando que a nova terminologia favorece o debate aberto. Críticos, porém, temem que a substituição do termo possa minimizar ou invisibilizar casos reais de discriminação contra muçulmanos no país.
Com informações de Gazeta do Povo