Brasília — A sessão do Órgão Especial do Tribunal Superior do Trabalho (TST) desta segunda-feira (4) virou palco de um embate público entre o presidente da Corte, ministro Vieira de Mello Filho, e o colega Ives Gandra Martins Filho. O confronto foi motivado por material de um curso externo que classificava os ministros da Corte como “azuis” ou “vermelhos”, rótulos associados a perfis “legalistas” e “ativistas”.
Presidente reage a curso sobre como advogar no TST
Na abertura da reunião, Mello disse ter sido “batizado” pela cor atribuída nos slides exibidos no treinamento, coordenado pelo vice-presidente do TST, Guilherme Caputo Bastos, e que contou com palestra de Ives Gandra. “Minha causa é a defesa da instituição. Não participo de evento pago”, declarou, classificando o curso como possível “conflito ético”.
Dirigindo-se a Gandra, o presidente afirmou: “Vossa Excelência iniciou esse episódio nesse evento”.
Gandra admite divisão, mas critica “juízo moral”
O ministro reconheceu ter apresentado a diferenciação entre colegas, alegando que “não se pode esconder” a existência de correntes mais legalistas e mais ativistas dentro do Tribunal. No entanto, considerou ofensiva a distinção feita por Mello entre “causa” e “interesse”. “Procurei externar minha visão sobre o que acontece no Tribunal”, disse.
Mello ironiza rótulos: “Sou cor de rosa”
O presidente contestou qualquer tentativa de etiquetar ministros e ironizou a classificação. “Sempre houve divergências internas construídas com argumentos, não com rótulos. Aliás, eu sou cor de rosa, a mistura de azul com vermelho”, afirmou.
Referência ao “Terceiro Reich” aumenta tensão
O clima esquentou quando o ministro Lelio Bentes manifestou “profunda indignação” com uma suposta comparação do funcionamento do TST ao “Terceiro Reich”. Gandra esclareceu que apenas utilizou o título do livro “Por dentro do Terceiro Reich”, de Albert Speer, como metáfora para prometer transparência e negou analogia direta ao regime nazista.
Pedido de transparência sobre palestras
A ministra Maria Cristina Peduzzi lamentou a discussão e ressaltou que todos atuam “em nome da Justiça”. Ao encerrar o debate, Mello anunciou que encaminhará ofício aos integrantes do Tribunal exigindo maior transparência em pedidos de afastamento para palestras, com informações sobre local e eventual remuneração.
Com informações de Gazeta do Povo