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EUA ampliam investigação sobre possível cartel de JBS e Marfrig

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Washington (EUA) – O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) anunciou nesta segunda-feira (4) a intensificação da investigação antitruste que envolve os quatro maiores frigoríficos que operam no país, entre eles as brasileiras JBS USA Holdings e National Beef Packing, controlada pela Marfrig Global Foods. O procedimento, aberto em novembro de 2025 por ordem executiva do presidente Donald Trump, apura suspeitas de formação de cartel, fixação de preços e riscos à segurança alimentar.

Em coletiva na sede do DOJ, o procurador-geral interino Todd Blanche informou que mais de 3 milhões de documentos já foram analisados e centenas de pecuaristas, produtores e processadores ouvidos. “A estrutura altamente concentrada do setor sugere práticas anticompetitivas”, afirmou.

Quatro empresas dominam 85% do mercado

Dados do DOJ e do Departamento de Agricultura (USDA) mostram que JBS, Cargill, National Beef e Tyson Foods controlam cerca de 85% da carne bovina vendida nos Estados Unidos, índice que era de 36% em 1980. Segundo a secretária de Agricultura, Brooke Rollins, as quatro companhias atuam por meio de cerca de 70 subsidiárias, limitando as opções de venda dos pecuaristas.

Rollins e o diretor de Comércio e Manufatura da Casa Branca, Peter Navarro, destacaram a preocupação do governo com o fato de metade desse grupo ter capital estrangeiro. “Metade desses gigantes, inclusive o maior frigorífico do mundo, está sob controle estrangeiro, o que representa ameaça não só aos nossos produtores, mas ao país”, declarou Rollins, referindo-se à JBS.

Tarifas e pressão política

Navarro relatou que, após a Casa Branca impor tarifas adicionais ao Brasil no ano passado, cargas de carne destinadas ao mercado norte-americano teriam sido redirecionadas para a China. Ele também acusou a JBS de “injetar milhões de dólares” em doações políticas nos EUA, o que, segundo ele, aumentaria os riscos à segurança nacional.

Recompensa a delatores

O procurador Blanche anunciou que delatores que fornecerem provas de práticas ilegais poderão receber entre 15% e 30% dos valores recuperados em processos que resultem em multas superiores a US$ 1 milhão.

Procuradas, JBS e Marfrig não responderam até o fechamento desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestação.

Com informações de Gazeta do Povo